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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Homem admitiu ter usado faca de cozinha para matar vizinha

Crime aconteceu em abril do ano passado.

06 de outubro de 2015 às 19:07

O homem acusado do homicídio de uma mulher de 39 anos, na Lixa, Felgueiras, em coautoria com a esposa, admitiu esta terça-feira em tribunal ter matado a vítima com uma faca de cozinha, na sequência de um assalto.

O arguido, de 47 anos, contou ao coletivo de Penafiel que o assalto ao apartamento da vizinha, que vivia sozinha, foi combinado previamente e realizado com a esposa, também arguida neste processo, usando um isqueiro com a forma de arma de fogo para "assustar".

Justificou que o assalto, realizado no dia 27 de abril de 2014, foi motivado por dificuldades financeiras por que passava o casal, porque ambos tinham os ordenados penhorados.

Aos juízes e ao procurador avançou que andava há muito tempo a ser ameaçado de morte pela esposa, que o "incentivava a realizar assaltos", mesmo a familiares, para arranjar dinheiro, e admitiu ter medo dela, para além de "ódio e raiva".

Artur Gomes alegou ter medo da mulher

"Estava a viver um inferno com ela", exclamou, acrescentando que a companheira ameaçava denunciá-lo à GNR de ilícitos criminais ocorridos no passado. "Eu tinha medo de ir para prisão", justificou-se.

Antes de começar a depor, o alegado autor do crime pedira ao juiz-presidente para falar sem a presença na sala da mulher, alegando ter medo dela, o que foi deferido.

Ao tribunal, o arguido disse também que a intenção inicial não era matar a vizinha, que só conhecia de vista, mas que o crime acabou por acontecer porque a vítima conseguiu identificar a esposa quando decorria o assalto.

Os dois arguidos atuavam com cara destapada, mas usavam luvas, reconheceu perante o tribunal.

A vítima, segundo a acusação, morreu na sequência de vários golpes no pescoço. O arguido admitiu, em audiência, ter desferido um único golpe, mas mais tarde reconheceu ter espetado a faca para acabar com o "pesadelo rápido".

"Foi um pesadelo. Eu estava desesperado", murmurou.

Assumiu o roubo de 500 euros e pertençes da vítima mortal

Declarou ainda que da casa da vítima, que imobilizara em cima de uma cama, de barriga para baixo e pés amarrados, o casal levou cerca de 500 euros em dinheiro, um anel e uma aliança em ouro e um telemóvel. Da venda das duas peças de ourivesaria resultou a verba de 90 euros.

Questionado sobre a razão pela qual só se entregou às autoridades meio ano após o homicídio, o homem explicou que já "não aguentava mais" e "porque tinha peso na consciência".

Ao coletivo, disse que não se consegue perdoar por aquilo que fez naquele dia, declarando que a vizinha "não merecia morrer assim".

"Lamento pelos familiares e amigos da vítima", comentou, quase chorando.

A próxima sessão está marcada para dia 16 de outubro, às 9h30.

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