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Correio da Manhã

Portugal
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Homicida do verylight apanha mais três anos de prisão

Adepto do Benfica que matou rival no Jamor regressa à cadeia por usar tocha.
Sérgio A. Vitorino 22 de Julho de 2017 às 01:45
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Homicida do verylight apanha mais três anos de prisão
Hugo Inácio, de 43 anos, o membro da claque do Benfica No Name Boys que em maio de 1996 matou com um verylight um adepto do Sporting na final da Taça de Portugal, no Jamor, deverá regressar pela terceira vez à cadeia por crimes em recintos desportivos.

Desta vez viu o Tribunal da Relação de Lisboa confirmar na íntegra uma nova pena de três anos de prisão efetiva: uso e posse de arma proibida, no caso engenhos pirotécnicos conhecidos por tochas de luz e fumo.

Segundo o acórdão, a que o CM teve acesso, Hugo Inácio fica ainda proibido de entrar em recintos desportivos durante sete anos. A decisão, do dia 12 deste mês, não pode ser alvo de recurso para o Supremo, mas ainda não transitou em julgado. O homem está em liberdade.

Hugo Inácio estava, a 19 de novembro do ano passado, dia de Benfica-Marítimo (6-0), na zona onde membros dos No Name Boys se concentram, frente a um snack-bar já dentro do recinto do estádio, quando, segundo dão como provado os tribunais, deflagrou uma tocha. Foi apanhado pela videovigilância e detido pela PSP no exterior. Tinha ainda outra tocha.

Foi condenado em dezembro aos três anos de prisão efetiva e a sete sem poder entrar em recintos desportivos. Hugo Inácio recorreu para a Relação, que veio agora confirmar as penas.

Para estas contribuiu o histórico como adepto violento – "só não cometeu crimes quando esteve preso", disse o juiz. Pelo crime de 1996, no Jamor - disparou um verylight que matou o sportinguista Rui Mendes na bancada oposta -, foi condenado em 98 a 4 anos de prisão por homicídio negligente grosseiro. Saiu numa precária em 2000 e foi recapturado apenas em 2011, na casa da mãe.

Deixou em 2012 a cadeia e em novembro desse ano envolveu-se numa rixa no estádio da Luz, num Benfica-Spartak Moscovo. Foi condenado a 18 meses de prisão efetiva, com proibição de entrar em recintos desportivos por 2 anos, por ter agredido e injuriado um polícia. Teve outras penas e quando saiu de novo da cadeia foi apanhado com a tocha.

Só na cadeia não cometeu crimes  
Os tribunais foram claros: " [Hugo Inácio] apenas não praticou crimes relacionados com eventos desportivos enquanto esteve em estabelecimento prisional em cumprimento de penas de prisão efetivas". A pena máxima pela tocha é de 5 anos de cadeia e 8 de interdição em estádios.

Pormenores
Condenações desde 1994
Hugo Inácio tem várias condenações a prisão efetiva: em 1994 (furto, 2 anos e 6 meses), 1997 (março, furto, 7 meses; abril, furto, 2 anos; maio, furto, 2 anos e 6 meses); 2013 (janeiro, furto, 14 meses; outubro, roubo, 2 anos e 8 meses).

Vive com a mãe
Solteiro, vive com mãe, o padrasto e o sobrinho. É ajudante de montador de pladur, recebendo "em média, por dia, cerca de 30 euros". Tem o 7.º ano.

Sem danos por "sorte"
No recurso, Inácio defendeu que a sua conduta não provocou danos. Os desembargadores dizem que tal foi "acaso/sorte".
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