À primeira vista parece um hotel de luxo. O espaço apalaçado, as salas espaçosas, os corredores largos, sofás espalhados pelos espaços de convívio e o jardim não fazem lembrar um hospital.
O Hospital Residencial do Mar (HRM), localizado na Bobadela (Loures), abriu portas há um mês e já tem 12 utentes. O projecto da Espírito Santo Saúde, de 12 milhões de euros, está vocacionado para a neuroreabilitação de demências e a convalescença de doentes pós-agudos e pós-cirúrgicos.
Caldas de Almeida, administrador do HRM, disse que a unidade de convalescença tem como objectivo o internamento de 20 a 30 dias, “com vista à reabilitação e retorno da autonomia para que os doentes possam regressar a casa”, nomeadamente os que sofrem de patologias do foro ortopédico e traumatológico, cardiológico e neurológico. Na unidade de demências, “é feito um diagnóstico, avaliado o estádio da doença e criado um programa personalizado de reabilitação”.
Ainda só abriu um dos três pisos, precisamente o destinado às demências. Nos restantes pisos há camas por desempacotar e pequenos detalhes a terminar. No jardim, os doentes têm uma zona de estar, um circuito de manutenção e um circuito para estimular os sentidos, como o cheiro, o tacto ou a audição, de quem sofreu um acidente vascular cerebral.
Com 88 quartos para internamento, o hospital pode ter até 120 camas. “É uma área com grandes carências em Portugal e a demência vai ter um aumento dramático nos próximos anos”, disse Caldas de Almeida.
O internamento custa pelo menos 80 euros por dia e a permanência no centro de dia custa 970 euros por mês. O HRM já propôs ao Ministério da Saúde a integração na Rede de Cuidados Continuados de Saúde, de modo a poder praticar preços mais baixos.
O presidente da Câmara de Loures, Carlos Teixeira, que ontem visitou as instalações, considerou que “é um bom exemplo a seguir” e criticou o atraso na construção do Hospital de Loures. “Se a Câmara tivesse autonomia para investir na área da Saúde, o hospital já estava feito”, frisou.
ALZHEIMER RETARDADA
Os primeiros sintomas de Alzheimer podem ser mais físicos do que mentais e o desenvolvimento desta doença degenerativa pode ser retardado por um bom nível de actividade física. Uma equipa da Universidade de Washington (em Seattle, nos EUA) examinou 2288 pessoas com mais de 65 anos que não mostravam sinais de demência, no início do estudo.
Os investigadores seguiram estas pessoas durante seis anos, para avaliar o seu desenvolvimento físico e mental. Seis anos depois, 319 participantes tinham desenvolvido demência, 221 dos quais com sintomas de Alzheimer.
Os participantes em melhor condição física no começo do estudo tinham três vezes menos probabilidades de desenvolver demência do que os que tinham menos actividade. O estudo sugere que o exercício regular ajuda a retardar a demência por melhorar a condição física.
CORREDORES LARGOS E LUZ NATURAL ESTIMULAM DOENTES
Alcinda, de 82 anos, está a dar sopa à irmã, Irene, uma das utentes do HRM e doente de Alzheimer. “Gosta de estar cá, mas ainda está muito apática, come pouco”, explica. Na sala que serve de refeitório, alguns pacientes vão chegando, acompanhados pelas auxiliares. O piso dois do HRM já está a funcionar em pleno.
A primeira unidade de Alzheimer em Portugal foi construída para estimular os doentes, que podem andar à vontade. Os corredores têm quatro metros de largura e em todos há uma parede de vidro. A luz é natural e é um espaço que “permite trabalhar e estimular as pessoas e potencia a capacidade de trabalho”, diz o administrador Caldas de Almeida.
Os quartos são personalizados. “Pedimos às famílias para trazerem a roupa da cama, quadros, fotografias, tudo o que faça o doente sentir-se como se estivesse em casa”, explica. Até as camas hospitalares estão ‘disfarçadas’ como se fossem camas normais de madeira.
APAGAR A MEMÓRIA
A doença de Alzheimer, descoberta há 100 anos, mata células do cérebro e apaga da memória o passado da pessoa. Está relacionada com a idade e tem vindo a aumentar em Portugal na mesma proporção do aumento da esperança de vida.
46 MIL SEM APOIO
Há cerca de 70 mil doentes com Alzheimer em Portugal. Segundo a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer, 46 mil pacientes não têm acesso a medicamentos nem a assistência clínica. A despesa mensal pode chegar aos milhares de euros.
DOENÇAS RARAS
Especialistas em doenças raras defenderam a criação urgente de uma base de dados para identificar os problemas e estabelecer um plano de intervenção em Portugal, onde se estima existirem 300 destas patologias. Segundo a Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras estão descritas cerca de 7000 doenças raras.
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