O mais extenso mouchão do estuário do Tejo, o da Póvoa de Santa Iria, em Vila Franca de Xira, a 300 metros da costa de Lisboa e com cerca de 1200 hectares, está à venda no portal da empresa canadiana Private Islands por 240 milhões de euros, valor superior a ilhéus em zonas como Bahamas ou Nova Escócia.
O proprietário do mouchão da Póvoa, administrador de uma imobiliária, pôs a ilha à venda por 30 milhões de euros e em declarações ao jornal regional ‘O Mirante’ disse desconhecer como a sua propriedade foi parar à net.
Certo é que na internet a ilha é apresentada como o local ideal para se construir um empreendimento turístico e uma pequena marina.
"O preço exorbitante serve unicamente para chamar a atenção", sustenta António Infante, do movimento cívico Xiradania. E prossegue: "Há mais de vinte anos que o mouchão está à venda porque não existe a intenção de fazer agricultura agro-pecuária."
Os mouchões da Póvoa, de Alhandra e o Lombo do Tejo, conhecidos como "ilhas da discórdia", são zonas sensíveis a inundações. "Deve-se criar qualquer coisa que auto-sustente o sistema dos diques, que protegem os mouchões das inundações", explicou ao CM António Valério, director do departamento de cheias da zona de Lisboa do Instituto da Água (INAG).
Este ilhéu é uma área protegida pelo Plano de Ordenamento da Reserva Natural do Estuário do Tejo. "Se construírem um empreendimento turístico com determinadas estruturas não põem em causa os diques. No entanto, não se pode construir qualquer coisa. Já houve vários projectos que foram chumbados", diz o porta-voz do INAG.
Contactada pelo CM, a Câmara de Vila Franca de Xira refere, em comunicado, que o mouchão da Póvoa deve respeitar as leis de protecção ambiental e que é possível a "aplicação de um modelo de turismo sustentável, através de um programa de turismo da natureza".
"O mouchão deve simplesmente recuperar a actividade agro-pecuária", remata António Infante.
ILHA DO BARREIRO LEILOADA AMANHÃ
A ilha do Rato, no estuário do Tejo, localizada entre a Base Aérea do Montijo e a zona industrial do Barreiro, vai ser leiloada amanhã tendo como base de licitação 1 euro. Este espaço é construído por um banco de areia de vegetação rasteira, tem uma casa que está inabitável e o paredão encontra-se bastante destruído. O proprietário da ilha comprou-a com a intenção de a transformar num destino turístico e chegou a ter empresas estrangeiras interessadas, mas o negócio não se concretizou.
APONTAMENTOS
1200 HECTARES
O mouchão da Póvoa está abandonado. Tem 1200 hectares, dos quais cerca de 800 de terra seca, sendo o restante lodo. Possui ainda várias culturas de aves que ali residem.
LOMBO E ALHANDRA
Os mouchões de Alhandra e o Lombo do Tejo são propriedade privada e há várias décadas que ali se desenvolvem actividades agro-pecuárias.
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