Milhares de operacionais combatem incêndios de grandes dimensões durante dias seguidos, no Norte e Centro do País e o cansaço é notório.
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Está a ser um verão muito complicado para os milhares de bombeiros que combatem incêndios desde o início de junho. E os sinais evidentes de cansaço já se começam a notar: muito esforço físico, pouco descanso, alimentação deficiente e muitas horas de sono em atraso para os 30 mil bombeiros existentes no país.
Os grandes incêndios da quarta vaga de fogos florestais deste ano começaram ontem finalmente a ceder aos meios de combate, mas milhares de operacionais vão-se manter no terreno em trabalhos de vigilância aos reacendimentos e rescaldo.
Segundo o CM apurou, cerca de meia centena de bombeiros já ficaram feridos durante o combate às chamas deste verão. E muitas situações são consequência do cansaço.
"Os nossos bombeiros não são máquinas e sofrem de cansaço físico, mas continuam muito fortes em termos psíquicos. Temos homens e mulheres que trabalham quando já estão no limite das forças físicas, mas fazem-no com espírito de missão", disse ontem ao CM Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, frisando que o verão de 2017 "está a ser muito complicado porque os incêndios ganham uma força impressionante em pouco tempo".
O incêndio que mais trabalho deu ontem aos bombeiros foi o de Louriçal do Campo, Castelo Branco, que destruiu a floresta na serra da Gardunha e alastrou ao concelho vizinho do Fundão.
Neste fogo, 10 dos bombeiros que foram chamados para combater as chamas sofreram ferimentos ligeiros - seis iam num autotanque que caiu por uma ravina na sequência de um aluimento de terras, na localidade de Alcongosta.
PORMENORES
Bombeiro fica ferido
Um bombeiro de 27 anos da corporação de Ermesinde ficou ontem ferido quando combatia as chamas que deflagravam em S. Romão do Coronado, Trofa. O operacional sofreu queimaduras nas pernas e no braço direito. Foi levado para o Hospital de S. João, no Porto.
Incendiários detidos
A Polícia Judiciária já deteve este ano 60 pessoas pelo crime de fogo posto, sendo que apenas 24 ficaram com a medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva. Dos detidos, seis são do sexo feminino.
Operacionais têm alta
Os bombeiros da corporação do Fundão que viajavam no autotanque que se despistou para uma ravina, em Alcongosta, receberam ontem alta hospitalar e estão em casa a descansar.
Alerta laranja
Tendo em conta as condições do tempo, com calor e vento, a Proteção Civil decidiu manter o nível de alerta laranja para todo o país, nos próximos dias.
Portugal regista os maiores incêndios e a maior área ardida
Segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), até ao passado sábado, dia 12, os incêndios florestais tinham destruído 165 mil hectares, o equivalente a 16 vezes a área do concelho de Lisboa. Para se ter uma ideia, refira-se que no mesmo período de tempo, arderam em toda a Europa 427 mil hectares.
No que se refere aos três maiores incêndios, os mesmo registaram-se em Portugal: Várzea dos Cavaleiros, Sertã (29 mil hectares de área ardida, Pedrógão Grande (20 mil hectares e onde morreram 64 pessoas e 250 ficaram feridas) e Alvares, Góis (17 mil hectares).
Por outro lado, segundo o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, até 31 de julho o país registou 8539 incêndios florestais, que destruíram 128 mil hectares. Os distritos mais fustigados foram os de Santarém, Coimbra e Portalegre.
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