Utentes faleceram enquanto aguardavam cirurgia na Unidade Local de Saúde de Santo António, entre 2022 e 2025, no Porto. Há um cirurgião cardíaco contratado desde 2016 "impedido de operar".
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) está a averiguar as alegadas mortes de doentes enquanto aguardavam cirurgia cardíaca na Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA), no Porto, refere um processo esta segunda-feira consultada pela Lusa.
"O processo de esclarecimento foi instaurado (...) na sequência de notícias divulgadas pelos órgãos de comunicação social (...) relativas a alegados óbitos de doentes enquanto aguardavam intervenção clínica na Unidade Local de Saúde de Santo António", lê-se numa comunicação da IGAS com data de 24 de abril.
A IGAS refere que o processo de esclarecimento foi instaurado por despacho do inspetor-geral a 06 de abril e que em causa estão notícias publicadas a 19 de fevereiro, altura em que, em entrevista à RTP, o diretor de serviço de Cardiologia da ULSSA, André Luz, disse que 10 doentes morreram nos últimos três anos devido a uma "lista de espera demasiado elevada" só neste hospital do Porto.
"Este processo visa esclarecer a veracidade das informações divulgadas sobre a lista de espera para cirurgia cardíaca, segundo as quais 10 utentes terão falecido entre 2022 e 2025, devido a uma lista de espera demasiado elevada naquela unidade local de saúde", lê-se agora no processo da IGAS esta segunda-feira consultado pela agência Lusa.
Também a 19 de fevereiro o Diário de Notícias (DN) noticiou que diretores de serviço de cardiologia de quatro hospitais do Norte (Santo António, no Porto, Tâmega e Sousa, Matosinhos e Trás-os-Montes e Alto Douro) subscreveram uma carta sobre o panorama na cirurgia cardíaca na região.
Na missiva, dirigida à ministra da Saúde, alertavam para a lista de espera de doentes com problemas cardíacos a necessitar de cirurgia ou de implantação da válvula da aórtica.
Nessa ocasião, foi atribuída à ULSSA a ambição de vir a criar um centro de referência nesta área, mas responsáveis de centros de referência já instalados na região, e a Ordem dos Médicos (OM), entre outras entidades, alertaram para a escassez de recursos humanos nesta área e o perigo de esvaziamento dos serviços já existentes.
A 25 de fevereiro, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) abriu um processo de avaliação aos alegados constrangimentos de acesso a cirurgia cardíaca por utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), confirmou à Lusa esta entidade.
Em resposta escrita, fonte da ERS informou que este processo de avaliação tem em vista "averiguar com mais detalhe a situação".
Antes, a 20 de fevereiro a OM exigiu que a tutela apure se é verdade que morreram pessoas à espera de cirurgias cardíacas e tome medidas imediatas.
"Era do desconhecimento público, pelo menos da OM, a situação que o [hospital de] Santo António referiu de que há dificuldades e que estão a morrer pessoas. Portanto, a primeira coisa que se tem que fazer, e eu apelo à Direção-Executiva [do Serviço Nacional de Saúde], é que avalie esta situação porque não podem estar pessoas em lista de espera a morrer sem ter resposta", disse à agência Lusa o bastonário Carlos Cortes.
Entretanto a 22 de abril, a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, considerou que a ULS Santo António reúne condições para ser centro de referência afiliado para a colocação de válvulas aórticas percutâneas (TAVI).
"Muito do que está aqui em causa é permitir que aquela unidade comece a fazer TAVI como centro afiliado. Acontece que a colocação de TAVI, tal como norma da Direção-Geral de Saúde, implica que exista uma equipa cirúrgica 'on-house' que, com uma unidade de cirurgia cardíaca afiliada de um ou de qualquer centro, tornaria possível. Já tem um cirurgião cardíaco, bastava vir outro e mais a restante equipa", disse Ana Povo.
A governante foi ouvida na Assembleia da República, a pedido do Chega, a propósito da possibilidade de criação de um novo centro de cirurgia cardíaca na região Norte, numa audição cuja visualização 'online' ficou sem som após cerca de 45 minutos de transmissão.
A secretária de Estado lamentou que na ULSSA haja um cirurgião cardíaco contratado desde 2016 "impedido de operar".
Atualmente, na região Norte, doentes que necessitem de intervenções nesta área são referenciados para ULS São João, ULS de Vila Nova de Gaia/Espinho, bem como da ULS Braga, uma estrutura que há cerca de dois meses estava a trabalhar a 20% da sua capacidade, prevendo-se que atinja o pleno até ao final do ano.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.