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Portugal
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MP investiga acordo entre Berardo e Sócrates para cedência de coleção de arte ao Estado

Empresário negociou diretamente com José Sócrates a instalação da coleção de arte no CCB e o apoio público à fundação.
Diana Ramos e António Sérgio Azenha 3 de Junho de 2019 às 21:12
Museu Coleção Berardo
Museu Coleção Berardo FOTO: CMTV

O Ministério Público está a investigar o acordo assinado entre o governo de José Sócrates e Joe Berardo para a cedência da coleção de arte moderna do empresário madeirense ao Estado português. O Investigação CM desta segunda-feira revela os pontos fulcrais deste processo. 

O despacho da procuradora Inês Bonina, que investiga suspeitas de gestão danosa e corrupção na gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) chegou ao Palácio da Ajuda a 16 de abril. No documento que o Investigação CM consultou, no Ministério da Cultura, a procuradora é clara a informar o gabinete de Graça Fonseca sobre a documentação socilitada.

A Justiça procura dados sobre o acordo assinado entre o Estado português e o empresário Joe Berardo para a instalação da coleção de quadros no Centro Cultural de Belém (CCB). Ou seja, o inquérito que começou por investigar os créditos ruinosos concedidos pelas antigas administrações da CGD, concentra agora atenções num dos principais devedores: Joe Berardo, que negociou diretamente com José Sócrates a instalação da coleção de arte no CCB e o apoio público à fundação.

A procuradora pediu toda a correspondência trocada entre o Governo e o empresário, todos os contratos assinados com anexos e adendas, as avaliações à coleção de arte, e todos os pedidos de autorização para deslocações dos quadros do CCB para outros locais.

Na resposta enviada pelo gabinete da Ministra da Cultura foram enviados ao Ministério Público o contrato de 2006 e adenda, os estatutos da fundação e a avaliação da Christie’s a 862 obras de arte.

O pedido da procuradora foi entregue depois de o Correio da Manhã e a CMTV terem revelado a intenção dos bancos em executarem a dívida de quase mil milhões a Berardo e uma semana depois de ter sido tornada pública a tentativa de venda pelo empresário de 16 quadros, a maioria dos quais, as peças mais valiosas da coleção.

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