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Os três premiados vão receber um cheque de 85 mil euros.
O investigador português Rui Luís Gonçalves dos Reis, do Departamento de Engenharia de Polímeros da Universidade do Minho, ganhou o Prémio UNESCO-Guiné Equatorial de Pesquisa em Ciências da Vida-2017, criado pelo presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema.
Em comunicado divulgado esta segunda-feira pela agência da ONU para a Ciência, a Educação e a Cultura, o investigador português foi premiado pelas suas "contribuições excecionalmente inovadoras para o desenvolvimento e a engenharia de biomateriais de base natural e suas aplicações biomédicas, incluindo engenharia de tecidos, medicina regenerativa, células estaminais e [sistema de] entrega de medicação, que representam um significativo potencial para melhorar a saúde humana".
Também foram premiados a Organização de Investigação de Agricultura (do Centro Volcani, em Israel) e o investigador argentino Ivan Antonio Izquierdo, do Instituto de Investigação Biomédica da Universidade Católica do Rio Grande do Sul, no Brasil.
O instituto israelita, diz a UNESCO, tem vindo a "desenvolver com êxito inovações e metodologias de ponta na investigação agrícola, com aplicações práticas" bem como "programas de capacitação para promover a segurança alimentar em ambientes áridos, semiáridos e desérticos", o que representa um "avanço para o bem-estar humano".
O argentino Ivan Izquierdo foi distinguido pelos seus trabalhos relacionados com os processos de memória, incluindo aplicações clínicas em doenças neurodegenerativas e distúrbios psicológicos e relacionados com a idade.
Cada um dos três premiados vai receber um cheque de 100 mil dólares (85 mil euros) e uma estátua do artista plástico Leandro Mbomio Nsue, natural da Guiné Equatorial.
A cerimónia de entrega do prémio decorre a 04 de dezembro próximo, em Djibloho, na Guiné Equatorial.
O prémio visa "recompensar a investigação em ciências naturais" e foi instituído por Teodoro Obiang Nguema, que dirige a Guiné Equatorial desde 1979, na sequência de um golpe de estado.
Inicialmente conhecido como Prémio Científico Teodoro Obiang Nguema, a distinção foi instituída em 2008, mas em 2010 a UNESCO decidiu suspendê-la devido à falta de consenso e à polémica no seio da organização e junto de entidades defensoras dos direitos humanos.
Na altura, uma coligação internacional de dezenas de organizações e instituições de defesa de direitos humanos escreveu à diretora-geral da Unesco, Irina Bukova, salientando que a agência da ONU "arriscava a sua reputação ao ligar-se a uma das ditaduras mais sinistras de África".
Na carta, a coligação de organizações assinalava o facto de outras agências das Nações Unidas terem sido "muito claras sobre o estado desastroso dos direitos humanos e do desenvolvimento na Guiné Equatorial".
Entre muitos outros problemas, estas organizações colocaram em evidência a prática generalizada de tortura pela polícia, uma repressão omnipresente, a ausência de liberdade dos 'media', a amplitude das discriminações e o desprezo pelos direitos económicos e sociais dos guineenses.
A diretora-geral da UNESCO era também exortada na carta a "indagar sobre a origem dos milhões de dólares de dotação do Prémio Obiang".
Posteriormente, Teodoro Obiang Nguema aceitou que o prémio não tivesse o seu nome, mas o do seu país, e o galardão voltou a ser entregue a partir de 2012.
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