Furriel de 23 anos não resistiu aos graves ferimentos que o deixaram em coma, após acidente terça-feira no último salto do curso de paraquedismo do Exército.
Barcelos de luto por Ismael que morreu a cumprir o sonho de ser paraquedista
Desportista, cristão, militar. Elogiado em Barcelos, onde vivia; e em Tancos, onde fazia o curso para cumprir o sonho de ser paraquedista do Exército. Ismael Silva Lamela, de 23 anos, morreu esta quinta-feira, ao final da manhã, rodeado dos pais e da namorada, no Hospital de São José, em Lisboa. O jovem furriel não resistiu aos graves ferimentos - principalmente os cranioencefálicos - sofridos num acidente, terça-feira, no 6.º e último salto de abertura automática do curso de Paraquedismo. O curso saltou a 1000 pés (300 metros) de um C130 e, pouco após a saída, ocorreu um enganchamento (enredou-se) com o paraquedas de outro sargento, Nunes, de 28 anos (que sofreu fraturas da bacia e tíbia e está internado em Leiria), provocando uma descida acelerada e um forte embate no chão, na zona de saltos do Arripiado, na Chamusca.
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Ismael Lamela, que entrou no Exército como soldado em janeiro de 2021 e para o curso de sargentos no ano seguinte, era o número 4 do curso de Paraquedismo 330. Imediatamente após o acidente, que foi presenciado por dezenas de militares que tinham acabado de saltar, entre eles o comandante do Regimento de Paraquedistas, foi estabilizado por socorristas militares, que o reanimaram após uma paragem cardiorrespiratória. Já com o INEM no local, foi transportado para o Hospital de Abrantes e daí para o de São José, em Lisboa. Em coma, e sem reagir aos testes de estímulos, foi decretada quarta-feira a morte cerebral. Ventilado, a morte foi declarada às 12h20 de quinta-feira. Terá doado os órgãos.
“É um choque muito grande. Não estávamos preparados para esta notícia”. Pedro Pereira, presidente da junta de freguesia de Carapeços, e amigo de Ismael, diz que era um “apaixonado pela vida militar” e que o curso de paraquedista era “a sua maior alegria”. As lágrimas interrompem o discurso do autarca que, apesar de estar em Barcelos, esteve em contacto próximo com os pais do furriel.
Os pais e a namorada viajaram para Lisboa e têm estado a receber apoio psicológico do Exército. Pedro Pereira fala de uma família muito unida. Diz que a paixão pela carreira militar vem da família: Ismael tem dois tios sargentos no Exército, um deles em Abrantes. “Ele adorava aquilo. Falava com paixão do que fazia e do que queria fazer quando vinha a casa, ao fim de semana”, recorda Pedro Pereira.
Além do envolvimento na vida da freguesia, o jovem era também muito ativo na paróquia, no grupo de jovens, do qual fazia parte. O padre Vítor Nogueira recorda um jovem alegre e bem-disposto. “Era difícil alguém estar triste ao lado dele. Vai fazer muita falta, mas vamos tentar estar unidos nos próximos dias para confortar a família do Ismael e todos os amigos”, referiu.
Cerimónia marcada pela dor
O acidente, que o Exército investiga e sobre o qual o Ministério Público abrirá inquérito, levou a notas de pesar do Presidente da República, do Governo e de dezenas de instituições. A cerimónia final do curso de paraquedismo decorre esta sexta-feira, em Tancos, tal como previsto, mas à porta fechada e em ambiente de grande consternação, devido ao acidente fatal.
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