Nascido em 1939, João Gomes-Pedro licenciou-se em Medicina na FMUL em 1964, e, no ano seguinte, ingressou no internato geral do Hospital de Santa Maria.
O médico João Gomes-Pedro, considerado um dos fundadores da pediatria moderna em Portugal, morreu esta segunda-feira aos 86 anos, anunciaram a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) e a Unidade Local de Saúde Santa Maria (ULSSM).
"É com o mais profundo pesar que a FMUL e a ULSSM informam do falecimento do professor doutor João Carlos Gomes Pedro, uma figura maior da medicina portuguesa, cuja vida foi marcada por uma dedicação ímpar ao ensino, à ciência e ao cuidado das crianças e das suas famílias", salientaram as duas instituições num comunicado conjunto enviado à Lusa.
Nascido em 1939, João Gomes-Pedro licenciou-se em Medicina na FMUL em 1964, e, no ano seguinte, ingressou no internato geral do Hospital de Santa Maria, instituição que viria a ser a "sua casa ao longo de mais de cinco décadas de serviço exemplar".
Em 1975, assumiu funções como coordenador da Unidade de Pediatria, tornando-se posteriormente chefe de serviço e, em 1997, diretor do Serviço de Pediatria.
"Na sua Faculdade de sempre, doutorou-se em 1982 e foi nomeado professor catedrático em 1990, destacando-se como pedagogo de referência e inspirando gerações de estudantes e profissionais", adiantou o comunicado.
As duas instituições salientaram ainda que foi um "homem de relevo na sociedade e nas mentalidades ligadas à medicina", o que levou a que fosse "amplamente reconhecido pelo seu mérito", tendo sido agraciado pelo Presidente da República como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e Grande-Oficial da Ordem de Mérito.
"O seu contributo para a academia foi igualmente perpetuado em 2016, quando a FMUL criou o Prémio de Mérito Pedagógico Professor Doutor João Gomes-Pedro, distinção que continua a homenagear, em vida e além dela, o seu exemplo de dedicação ao ensino e à comunidade académica", adiantaram as instituições, que endereçaram à "família, amigos, colegas e discípulos as mais sentidas condolências".
Numa nota de pesar enviada à Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos considerou Gomes-Pedro uma "personalidade maior da medicina portuguesa e um dos fundadores da Pediatria moderna no país", salientando que a sua vida "confundiu-se com a afirmação da criança como pessoa plena de direitos, dignidade e voz própria, numa época em que tal entendimento exigia visão e coragem intelectual".
"Clínico de excelência, defensor intransigente de uma medicina humanista, não foi apenas um pediatra notável, foi um médico inteiro, no sentido mais exigente da palavra, capaz de integrar conhecimento científico e responsabilidade social", realçou Carlos Cortes.
Segundo o bastonário, João Gomes-Pedro formou médicos, elevou padrões de qualidade e segurança no cuidado às crianças e "ajudou a inscrever na cultura médica portuguesa a ideia de que tratar é também compreender, escutar e proteger a criança".
"O seu legado permanece na prática quotidiana de milhares de médicos que aprenderam com ele que a medicina começa e termina na defesa incondicional da dignidade humana, na dignidade da criança", sublinhou Carlos Cortes.
Em 2010, criou em Portugal a Fundação Brazelton Gomes-Pedro que se dedica à formação, divulgação e investigação nesta área, com o objetivo de "fomentar, desenvolver e difundir um novo paradigma de intervenção clínica inspirado num modelo relacional, no pressuposto de que favorecer o vínculo do bebé à sua família tem repercussões significativas ao longo do desenvolvimento".
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