page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Juiz declara especial complexidade do processo de Tancos

No parlamento decorre uma comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas.

07 de março de 2019 às 19:24

O juiz de instrução criminal João Bártolo declarou a excecional complexidade do processo das armas de Tancos, aceitando um requerimento nesse sentido apresentado pelo Ministério Público, indica o despacho judicial a que a agência Lusa teve acesso.

Na apreciação do pedido de excecional complexidade do processo, que dilata vários meses o prazo de investigação, o juiz refere que para tal declaração tem, à luz da lei e da jurisprudência, que ter em conta o número de arguidos e a atividade complexa da investigação, havendo ainda a considerar as diligências de investigação concretamente necessárias à sua realização.

Deve ainda assumir-se, adianta, citando um acórdão da Relação de Lisboa - que "as análises documentais, de dados e testemunhal são impossíveis ou absolutamente desrazoáveis de realizar nos prazos normais do inquérito".

"Tendo em conta tais critérios, sem esquecer a extensão do inquérito já em apreciação, a quantidade de elementos de prova recolhidos que têm de ser conjugados para definição de distintas condutas que se interligam, com referência a muitos arguidos, com reflexo claro na determinação da extensão da atividade criminosa desenvolvida pelos arguidos (...) declaro a excecional complexidade dos autos", lê-se no despacho do juiz João Bártolo.

No mesmo despacho, o juiz de instrução criminal (JIC) recorda que o Ministério Público (MP) requereu a declaração de excecional complexidade do processo considerando a extensão da documentação e matéria pericial de dados informáticos, o número de arguidos envolvidos, bem como a complexidade e extensão da atividade criminal em investigação.

O despacho indica que os arguidos Roberto Pinto da Costa e Mário Lage de Carvalho, ambos da Polícia Judiciária Militar, opuseram-se ao pedido do MP, sem fundamentarem.

O despacho de João Bártolo refere ainda que o arguido Luís Vieira, diretor da PJ Militar, opôs-se "invocando apenas questões já suscitadas no seu recurso e apreciadas pelo tribunal da Relação de Lisboa quanto à admissibilidade de apensação de processos, qualificação jurídica dos factos e competência para a investigação, referindo não ter ficado demonstrada a impossibilidade de o MP realizar todas as diligências quanto a uma parte do inquérito em prazo mais curto".

No início de fevereiro, a Lusa teve acesso ao pedido do MP para que fosse declarada a especial complexidade do processo, justificando que está a investigar criminalidade altamente organizada e que as diligências que considera imprescindíveis são impossíveis de realizar até dia 28 de março, prazo inicial para a conclusão do inquérito ao caso de Tancos.

O processo de Tancos, que resulta da apensação do processo do furto das armas e da alegada encenação da recuperação das mesmas armas meses depois na Chamusca, tem duas dezenas de arguidos.

Os crimes indiciados são terrorismo internacional, associação criminosa, tráfico de droga, furto, detenção e tráfico de armas, tráfico de influência, e denegação de justiça e prevaricação, falsificação de documento e abuso de poder.

No momento do pedido do MP para declarar especial complexidade, o inquérito ao caso de Tancos era composto por 37 volumes e mais 50 apensos.

O caso do furto de armas, ocorrido em 2017, ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos militares da PJM e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do roubo, um ex-militar de nome Paulino.

O furto de material de guerra foi detetado pelo exército a 28 de junho de 2017 e o reaparecimento das armas, na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, foi revelado quatro meses depois (18 de outubro) pela PJM, em colaboração de elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

No parlamento decorre uma comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos que tem programadas audições a mais de 60 personalidades e entidades.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8