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Rede liderada por ‘Xuxa’ tinha ligações a ‘Pablo Escobar brasileiro’
03 de abril de 2024 às 10:37

Rede liderada por ‘Xuxa’ tinha ligações a ‘Pablo Escobar brasileiro’. Os dois traficantes estiveram juntos em Portugal

O julgamento 'Xuxa' (Ruben Oliveira), considerado o maior traficante português, e dos restantes 18 arguidos por tráfico de cocaína, associação criminosa e branqueamento de capitais prossegue esta quarta-feira, no Juízo Central Criminal de Lisboa.

O CM sabe que esta quarta-feira vão ser ouvidas duas das 55 testemunhas da acusação. O Ministério Público chamou dois inspetores da PJ que vão explicar como desmantelaram aquela que é considerada a maior rede de tráfico em Portugal.

De acordo com a acusação do Ministério Público, o grupo criminoso, liderado por Rúben Oliveira, tinha "ligações estreitas" com organizações de narcotráfico do Brasil e da Colômbia e desde meados de 2019 importava elevadas quantidades de cocaína da América do Sul.

Quarta-feira, 03 de abril de 2024 às 10h37

Começa a segunda sessão do julgamento

A segurança está reforçada. Estão 16 agentes na sala de audiência, entre agentes da PSP e Guardas prisionais.

Os sete arguidos em preventiva foram assistir à sessão. Xuxa entrou de cabeça erguida.

Quarta-feira, 03 de abril de 2024 às 10h54

Rede liderada por ‘Xuxa’ tinha ligações a ‘Pablo Escobar brasileiro’. Os dois traficantes estiveram juntos em Portugal

Começa a falar o primeiro inspetor. Diz que acompanhou grande parte das vigilâncias e que a PJ faz "recorrentemente fiscalizações no porto marítimo de Setúbal".

"Começou uma investigação de tráfico de estupefacientes internacional em 2019. Eu juntei-me em 2020 e na altura já estava o Rúben Oliveira identificado", garantiu.

"Há um contentor que traz 400 quilos de cocaína em paletes de ananás e começámos uma investigação depois da apreensão. Uma investigação diferente da do Rúben Oliveira", acrescentou.

Quando Rúben Oliveira viajou para Estugarda (Alemanha) com Luís Ferreira, o inspetor disse que exisitu uma suspeita, porque Luís Ferreira estava envolvido na primeira investigação.. 

O inspetor afirmou ainda que a investigação evoluiu com interceções telefónicas e com vigilâncias, sendo que o grupo utilizava plataformas do  Encrochat (wpp encriptada de conversação) e que foi com a cooperação das autoridades francesas que conseguiram ter acesso às conversas dessa plataforma. 

"Uma das subscrições do encrochat estava a acabar e o Rúben Oliveira usou o seu número pessoal", garantiu o inspetor. 

De acordo com o inspetor, Rúben Oliveira foi o primeiro identificado e mandou a seguinte mensagem:

"Isto vai acabar. Vou fazer um novo convite que isto são subscrições. Mas o meu particular é 93…"

"Sérgio Carvalho esteve cá em Portugal. Há muitas mensagens trocadas entre os dois", garantiu ainda. O arguido Rúben Oliveira e outros membros da organização criminosa estabeleciam contactos com indivíduos no Brasil, em concreto Sérgio Carvalho e outras vezes indivíduos ligados ao Comando Vermelho (organização criminosa Brasileira dedicada ao tráfico de estupefacientes com ligações, ramificações e membros na Bolívia, Paraguai e Colômbia). Sérgio Carvalho foi detido uma semana antes de Xuxa e está agora preso na Bélgica.

"Numa investigação apreendemos 12 milhões de euros e alguém dos arguidos disse "Temos de ver porque 5 milhões são nossos"", relatou ainda. 

"Mensagens revelam modos operandis, imagens da mercadoria… 99% das mensagens eram de planeamento e execução da rede". 

Quarta-feira, 03 de abril de 2024 às 12h23

Começa a ser feita uma cronologia das apreensões feitas ao longo dos anos

A testemunha que fala, o polícia, refere que a situação é como "um puzzle" onde se vai "montando peças". 

"Quer através da lista de contactos, da geolocalização e do conteúdo vamos fazendo a identificação", refere.

Explica que se deslocou perto da casa de Rúben e "rapidamente percebeu que a rede de wifi era a mesma que a do nickname utilizado na plataforma encriptada"

"Sky era uma plataforma semelhante. E partir de 2020 até março de 2021 começam a usar esta plataforma. Ouve mensagens de voz que analisamos. Foi feita uma análise da voz e identificaram claramente que era a mesma. E o dia de aniversário e a fotografia batiam certo", explica.

Acrescenta que "a troca de fotografias entre os elementos do grupo confirma que não houve roubos", o que explica o motivo pelo qual os suspeitos enviavam imagens das bagagens nas plataformas encriptadas.

Quarta-feira, 03 de abril de 2024 às 14h20

Advogado Melo Alves pede requerimento

Melo Alves, advogado de Gurvinder Slnghd, o indiano dono da mercearia, explica que "no decorrer do depoimento a testemunha consultava o auto e prestou declarações. À testemunha foi permitido consultar o relatório final".

A testemunha prestou depoimento quando as informações que esta disse foram reveladas.

"Entendemos que estamos perante uma manifesta irregularidade. O depoimento não pode ser valorado pelo tribunal", refere.

O CM sabe que o arguido indiano que testemunhou na terça-feira já tem proteção policial, de forma discreta. Este está em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica, mas está autorizado a sair para trabalhar no supermercado.

Gurvinder Slnghd foi um dos dois únicos arguidos que aceitou falar em tribunal e que apontou o dedo a Rúben Oliveira, 'Xuxa'.

A juíza não validou o requerimento do advogado do indiano.

Quarta-feira, 03 de abril de 2024 às 15h19

Julgamento retomou após pausa para almoço

Quarta-feira, 03 de abril de 2024 às 15h32

Testemunha continua a prestar declarações

A testemunha refere que perceberam que era ‘Xuxa’ "quem tinha dinheiro e poder de decisão. Ele é que dava indicações. Ele acompanha os carregamentos."

"Existe uma aquisição de um imóvel e nós vigiámos o ato da escritura. Nós vimos um saco e ficamos com a suspeita de que o saco podia conter dinheiro. Rúben Oliveira estava à porta de um cartório. Pagamento foi em dinheiro que nós vimos nas vigilâncias", atiram.

Na segunda audiência estão presentes os 7 arguidos que estão em prisão preventiva. Dos que estão em liberdade, apenas dois marcaram presença no tribunal, Carla Oliveira, a mulher de ‘Xuxa’ e também Luís Firmino (de acordo com a acusação do MP juntou-se à organização no início de 2020). O suspeito era o responsável pela aquisição e entrega dos telemóveis encriptados aos restantes membros da rede.

A testemunha da acusação ouvida hoje explica que os usuários destes telemóveis podiam comunicar livremente sem risco de intercepção das suas comunicações pela instalação de escutas telefónicas clássicas.

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