Madalena Sales
JornalistaDébora Carvalho
JornalistaTânia Laranjo
JornalistaO julgamento Xuxa" (Ruben Oliveira), considerado o maior traficante português, e dos restantes 18 arguidos por tráfico de cocaína, associação criminosa e branqueamento de capitais inicia-se esta terça-feira, no Juízo Central Criminal de Lisboa.
Ao que o CM sabe, os principais arguidos, entre os quais ‘Xuxa’ e o irmão Dércio, chamaram um total de 137 testemunhas.
De acordo com a acusação do Ministério Público, o grupo criminoso, liderado por Rúben Oliveira, tinha "ligações estreitas" com organizações de narcotráfico do Brasil e da Colômbia e desde meados de 2019 importava elevadas quantidades de cocaína da América do Sul.
Já falou o advogado de António Freitas
Já falou o advogado de António Freitas, um dos arguidos. Defende que o processo é uma fantasia e não acredita que o julgamento termine em julho com a quantidade de testemunhas.
Para já, não há grande aparato policial à porta do tribunal.
Para já, não há grande aparato policial à porta do tribunal. Mas a CMTV sabe que já entraram as equipas cinotécnicas da PSP para inspecionar a sala de audiências
defesa de xuxa
A defesa de Ruben Oliveira refere nega o pedido de 130 testemunhas uma vez que 55 foram pedidas pelo MP. Acrescenta ainda que o prazo máximo de prisão preventiva não termina em julho, mas sim em dezembro.
O advogado refere ainda que 'Xuxa' tinha luxos de acordo com os rendimentos.
Começa a audiência. Xuxa foi o último a entrar
Começa a audiência. 'Xuxa' foi o último a entrar na sala, no Juízo Central Criminal de Lisboa.
xuxa fala
Ruben Oliveira começa por identificar-se com as mãos atrás das costas. Está calmo, mas baralha-se a dizer a morada. Fala muito baixo. Diz que era empresário e diz que tinha várias atividades: tinha táxis, pastelaria e vendia carros.
Hoje só falam William e Gurvinder Slngh
Esta terça-feira só vão falar dois arguidos, William e Gurvinder Slngh, um cidadão indiano que tinha uma mercearia chamada Frutaria Viva, (um nome de bairro para dar mais credibilidade), mas que servia como esconderijo para traficar a droga.
O tráfico de droga era feito através da importação de banana. Chegaram a fazer um primeiro carregamento de fruta tropical que foi todo pago por Rúben Oliveira ( "Xuxa" )
William ouvido
William Cruz é o primeiro a ser ouvido. Diz que conhece José Cabral, um amigo com quem tinha encontros de motas, Vasco Soeiro e Luís Ferreira.
Começa por descrever o que aconteceu no dia 14 de fevereiro, dia em que foi detido.
Conta que se cruzou com o amigo José Cabral, no bairro de Angola, pelas 17h00. Combinaram ir lanchar, mas José tinha de ir primeiro ao 'aeroporto' [uma zona industrial na zona de cargas e descargas] buscar uma encomenda. Conta que seguiu o amigo no seu carro, mas estacionou numa rotunda e nunca entrou no tal 'aeroporto'.
José Cabral é descrito na acusação como um dos que recebia e transportava a droga.
Os dois combinaram ir lanchar a Odivelas, onde se situava o armazém onde ia deixar a encomenda.
Quando estava mal estacionado, na rotunda, William foi abordado por um polícia. Tinha 370 euros na sua posse. Explica agora que esse dinheiro serviria para pagar umas peças do carro, mas não conseguiu entregá-lo porque não estava ninguém na oficina.
Conta que não sabia o que tinha a encomenda e que nunca perguntou qual era o conteúdo. "Não perguntei porque eu já sabia que ele tinha trabalhado na distribuição e estava numa carrinha", diz.
"Nunca vi nada a ser carregado na carrinha. Só percebi o que tinha acontecido quando os outros rapazes também foram detidos. Agora não tenho nenhuma relação com José Cabral", refere William.
O advogado de José Cabral questiona William sobre o porquê de agora não terem uma relação. William responde: "Eu responsabilizo o José pela situação em que estou. Não tive nada que ver com aquilo. Fui surpreendido pela polícia".
"Eu só o vi o José horas depois na Polícia Judiciária. Não sei qual foi a reação na hora da detenção", conclui.
Gurvinder Slngh
Começa agora a ser ouvido Gurvinder Slngh (que tem um tradutor). Conta que conhecia Ruben Oliveira ('Xuxa') desde 2009 e Luís Ferreira desde 2021. "Conhecia Ruben dos Olivais Sul porque era cliente dos supermercados. Até a família ia lá", diz. Conheceu Luís através de 'Xuxa': "Ruben apresentou-o como o vendedor de fruta e disse que com ele era mais barato". Depois da apresentação refere que fez uma encomenda a Luís em 2021. Na primeira e segunda encomenda mandou vir papais, mas as últimas encomendas não foram feitas por ele. Não deu a ordem. "Não mandei vir as polpas de fruta que estão no processo, nem a última encomenda de papaias. Só as primeiras duas papaias. O senhor Luís Ferreira tinha os dados da empresa para abrir ficha de cliente no armazém de onde mandava vir a fruta. A alfândega comunicou que havia produtos para ir buscar. Não sabia. Mas fui buscar", esclarece. "Os produtos estragaram-se. Pedi várias vezes para irem buscar a encomenda. Ele [Luís] dizia que ia levantar, mas nunca mais foi lá. Então liguei para o Ruben e disse que tinham de ir buscar as polpas que já estavam a pingar. Depois ele foram lá buscar o açaí. Eu não paguei as outras cargas. Só as primeiras. Quem pagou acho que foi o senhor Luís Ferreira", diz Gurvinder. Conta que para abrir uma ficha de cliente cedeu os dados a Luís Ferreira, que lhe disse que da parte da Alfândega não precisava se preocupar porque ele tratava. O arguido não sabia trabalhar com a Alfândega. "Eu fiquei chateado com o Luís Ferreira porque disse que levantava amanhã e amanhã e amanhã e não vinha buscar. O meu empregado mandou e-mail para a empresa de açaí porque as importações não me interessavam… não queria mais", refere.
"É melhor fugires daqui"
Gurvinder conta que comunicava com o Ruben sempre pessoalmente, frente a frente. "Só no dia da encomenda que recebi que não era para mim é que liguei", diz.
A 14 de fevereiro de 2022 houve troca de mensagens.
"Não falei com mais ninguém nessas redes de comunicação. Só com Ruben. Recebi uma mensagem do Ruben a dizer para fugir entre as 17h30 e 18h00 e apaguei porque achei estranho", conta.
"É melhor fugires daqui" - dizia a mensagem.
Intervalo na sessão.
Intervalo na sessão.
Gurvinder Slngh explica o que aconteceu no dia da detenção
Gurvinder Slngh, o indiano que tinha a mercearia, explica que no dia 14 de fevereiro "foi trabalhar às 9h30 para receber mercadoria de um fornecedor".
Refere que Ari, Luís Ferreira, tinha pedido para este ir buscar um carregamento ao aeroporto, mas esclarece que ele "não tinha pedido mais papaia". Justifica a encomenda dizendo que foi Luís Ferreira quem mandou vir a fruta porque "estava muito mais barato" e que não a conseguia ir buscar, pois estava num funeral.
"Ele disse que eram precisas três carrinhas para este carregamento. Mas normalmente eram só três paletes", explica.
"Se vocês mandam mercadoria sem eu saber, eu não tenho dinheiro para pagar a mercadoria", explica Gurvinder Slngh.
Refere que confiou no José Cabral, descrito na acusação como um dos que recebia e transportava a droga, porque este disse que "tinha sido o Ari a pedir". "Não sabia quem era o José Cabral. Ele só disse que chegou uma mercadoria em meu nome. Eu tentei falar com o senhor Luís Ferreira, mas disse-me que ele estava num funeral", diz Gurvinder . Questionado pela juíza sobre porque voltou a confiar em Luís Ferreira se já estava desiludido devido à situação da polpa da fruta, o indiano refere:
A juíza volta a questionar o indiano, agora sobre o facto de não ter desconfiado de nada, sobretudo de pessoas que não conhecia, como José Cabral.
Gurvinder explica que José lhe entregou 4500 euros e que por sua vez os deu ao seu funcionário. Os dois empregados que foram levantar a encomenda, em nome do indiano, e não tiveram contacto com José Cabral.
Explica que como tinham a "matrícula da carrinha de José Cabral" iam conhecer-se na altura de levantar a encomenda, pois José levou "uma carrinha com publicidade", mais concretamente, da Europcar.
No dia foram apreendidos dois telemóveis, um vermelho que era da empresa e um Iphone que era o telemóvel pessoal. Há ainda documentos das encomendas.
Nos telemóveis é possível ver que trocou mensagens com o Ari, Luis Ferreira. O indiano refere que Ari lhe "enviou foto do IBAN para fazer o pagamento de 2500 euros da mercadoria", contudo refere que "não pediu nada e não pagava".
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