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Lena paga luvas em três negócios

Investigadores apanharam o rasto de 2,8 milhões de euros em duas offshores.

07 de abril de 2017 às 10:03

Pelo apoio de José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, o Grupo Lena terá pagado mais de 2,8 milhões de euros. Em causa estão, segundo o Ministério Público, os projetos da Parque Escolar; o TGV, em que o Grupo Lena participava no consórcio ELOS para a construção do troço Poceirão-Caia; e os vários negócios celebrados na Venezuela para a construção de casas pré-fabricadas.

Só no âmbito da Parque Escolar foram adjudicadas a empresas do Grupo Lena vária obras que totalizaram cerca de 90 milhões de euros, o que correspondeu a 10,6 por cento das adjudicações totais.

Na concessão do TGV ao consórcio ELOS, diz ainda o Ministério Público, os benefícios foram ao ponto de os decisores acautelarem com uma indemnização, paga pelo Estado, um eventual chumbo por parte do Tribunal de Contas. O que aconteceu, tendo depois o mesmo tribunal considerado essa norma ilegal - e que obrigaria o Estado a pagar 150 milhões de euros.

Já nos negócios com a Venezuela, o Grupo Lena terá beneficiado da participação ativa de José Sócrates que, enquanto primeiro-ministro e no âmbito de uma política de diplomacia económica, participou nas viagens, em 2008 e 2010.

De acordo com os investigadores que seguiram o rasto do dinheiro, as verbas saíram do Grupo Lena para duas offhores: a Giffard e a Pinehill.

Os investigadores acreditam ainda que, a partir de 2009, as contrapartidas do Grupo Lena passaram a ser pagas com alegados contratos de prestação de serviços e com carros fornecidos pela Rentlei, que fazia parte do grupo. Os carros terão sido utilizados não só por Sócrates, mas também por familiares e outras pessoas próximas do ex-governante, como o primo José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, pela mãe Maria Adelaide de Carvalho Monteiro e pela ex-mulher, Sofia Fava.

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De acordo com o Ministério Público, este financiamento do banco público, onde Armando Vara era administrador, valeu também a José Sócrates o pagamento de subornos. E mais uma vez o dinheiro terá circulado com a ajuda de Carlos Santos e também de Joaquim Barroca do Grupo Lena.

Para os investigadores da Operação Marquês, os pagamentos das contrapartidas passaram também por um circuito de dissimulação de offshores e contas internacionais. Uma das contas usadas foi a de Joaquim Barroca na Suíça. Foram transferidos dois milhões de euros.

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