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Lixo está acumulado nas ruas

Ontem foi o terceiro dia de greve dos trabalhadores do lixo e higiene urbana da Câmara de Lisboa e em alguns locais da cidade o lixo estava acumulado em contentores, e até nos ecopontos, como por exemplo na rua Castilho, onde reside o primeiro-ministro, José Sócrates.

11 de dezembro de 2008 às 00:30

"A adesão à greve foi de 90 por cento e nós estamos preparados para novas greves", revelou ao CM Delfino Serras, da Comissão Executiva do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa.

Os trabalhadores do lixo e da higiene urbana – que esta noite terminam a greve – reclamam a contratação de mais 200 cantoneiros. "Só este ano já saíram cem cantoneiros", diz Delfino Serras.

Ao mesmo tempo reclamam contra a eventual contratação de empresas privadas para efectuarem a limpeza em algumas zonas da cidade : "A Câmara quer uma empresa privada para assegurar a limpeza e a manutenção dos espaços verdes na zona da Baixa-Chiado e prolongar a actividade da Parque-Expo, que já efectua limpezas na zona do Parque das Nações, a outras zonas", assegura Delfino Serras.

O autarca de Lisboa, António Costa, garantiu ontem que a privatização dos serviços de limpeza não está em causa. "Não é verdade, a Câmara está a discutir nas reuniões um orçamento de vários milhões de euros para estes serviços", reage Delfino Serras.

Durante o dia de ontem foram assegurados os serviços mínimos e efectuadas apenas dez por cento das 108 voltas de dia e das mais de 200 rondas nocturnas.

A concentração de lixo na cidade não é, de acordo com Anabela Mendes, delegada regional adjunta de Saúde de Lisboa, prejudicial para a população: "Os resíduos biológicos, se não forem recolhidos no prazo mínimo de um ou dois dias, podem entrar em decomposição, o que trará o risco de conspurcação da via pública mas não causa riscos à saúde", garantiu ao CM.

A greve do lixo começou na segunda-feira e prolonga-se até esta tarde. Ontem à noite centenas de trabalhadores do lixo e da higiene urbana realizaram um piquete de greve na garagem onde estão estacionados os camiões.

Esta tarde, a partir das 18h00, os cantoneiros voltam a varrer as ruas, enquanto que os motoristas fazem greve até às 23h00, quando se inicia a recolha nocturna.

PALÁCIO DE BELÉM TEM CONTENTORES VAZIOS

Em frente ao Palácio de Belém, uma das zonas nobres e mais visitadas pelos turistas, os contentores foram despejados ontem de manhã.

"Estes contentores servem dezenas de restaurantes e de pastelarias e estavam entupidos", contou ao CM António Paulo, funcionário do restaurante Rota do Infante.

"O complicado é que o lixo estava 50 centímetros acima do nível dos caixotes e de manhã eram gaivotas em cima do lixo e sacos no chão", afiançou Rui Gonçalves, gerente do mesmo espaço. O CM apurou que desde o início da greve, os contentores só foram despejados ontem a meio da manhã.

MORADORES DE S. VICENTE COM LIXO HÁ VÁRIOS DIAS

"Moro no Beco da Verónica, a Câmara dá-nos sacos para pormos à porta de casa mas não podemos guardar o lixo dentro das nossas habitações, são pequenas e ficam a cheirar mal", contou ao CM Ana Cristina Azevedo, moradora na freguesia de S. Vicente há mais de três décadas.

Em algumas ruelas os resíduos são recolhidos por uma carrinha especial da autarquia. "Há três dias que não passam na nossa zona e temos que pôr o lixo na rua. É muito complicado porque vêm os cães, os gatos, os sem-abrigo, remexem nos sacos, espalham tudo e a porcaria é cada vez maior. Não entendo esta greve, quem se prejudica somos nós", lamenta a moradora.

NÚMEROS

90 por cento dos trabalhadores do lixo e higiene urbana aderiu à greve, de acordo com o sindicato.

200 cantoneiros contratados e a aquisição ou reparação do equipamento, são as exigências dos sindicatos dos trabalhadores do lixo.

700 cantoneiros apoiados por 120 motoristas recolhem diariamente o lixo doméstico entre as 23h00 e as 05h00.

140 voltas distribuídas pelos oito postes (zonas) delineados são efectuadas todas as madrugadas.

2000 pessoas trabalham no Departamento do Lixo e da Higiene Urbana da Câmara de Lisboa.

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