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Já estava instalado e confiante que não seria descoberto. Até tinha a companhia de dois filhos, um rapaz e uma rapariga. Franquelim Pereira Lobo, tido pela PJ como um dos maiores “barões de droga” portugueses, estava escondido no Brasil, em Juiz de Fora, pequena cidade do interior, onde assentou após uma fuga de cinco meses que o levou a Espanha, Cabo Verde e Moçambique.
Não sabia era que tinha os movimentos controlados pela PJ. Anteontem foi detido em Campos, arredores do Rio de Janeiro, pela Polícia Federal brasileira, que já o investigava por andar com um duo referenciado por branqueamento de dinheiro proveniente do tráfico de droga.
Franquelim Lobo, de 50 anos, estava em liberdade desde 21 de Outubro graças a um ‘habeas corpus’ interposto pelo seu advogado e aceite no Supremo Tribunal de Justiça, que teve de libertar um homem tido pela PJ como “perigoso”.
Aguentou-se três semanas em Portugal. Esteve com a família no Cadaval, a Norte de Lisboa. “Quando foi libertado sabia que tinha um mês em que (por lei) não podia ser emitido novo mandado de captura internacional. Quatro ou cinco dias antes de terminar o prazo fugiu para Espanha, daí para Cabo Verde, depois Moçambique, até se radicar no Brasil”, adianta fonte conhecedora do processo.
Lobo terá contado, no Brasil, com o apoio de portugueses ali residentes. Passeou por todo o Brasil até se estabelecer em Juiz de Fora (a 180 km do Rio de Janeiro), onde se julgou a salvo. Estava tão confiante que mandou viajar para junto de si parte da família, nomeadamente dois filhos maiores de idade.
Durante a fuga não descurou os negócios e realizou contactos para saber como estava o imobiliário em Málaga, actividade com que, diz a PJ, branqueava dinheiro da droga.
CORDIAL E NÃO RESISTIU
Foi surpreendido anteontem de manhã pela Polícia Federal brasileira, em Campos, junto ao Rio de Janeiro. “Foi cordial e não resistiu à prisão”, referiu ao CM o delegado-chefe José Carlos Tostes, que já investigava Lobo há três meses, desde que entrou em Juiz de Fora pela primeira vez. “Foi preso sozinho mas fazia-se normalmente acompanhar de dois homens – um português e outro brasileiro – que estão a ser investigados por branqueamento de dinheiro vindo do tráfico de droga”, explicou José Carlos Tostes.
O duo prestou ontem declarações na Polícia Federal mas não foi detido. Em buscas às casas e viaturas do trio as autoridades dizem ter apreendido “material importante” mas nem uma grama de droga.
Lobo está agora preso na cadeia de Juiz de Fora. Aguarda a extradição para Portugal, onde virá cumprir uma pena de 25 anos de cadeia por chefia de associação criminosa e tráfico de droga agravado, a que foi condenado em 2000 pelo Tribunal da Boa-Hora.
BRAÇO-DIREITO FOI DETIDO EM ESPANHA
A Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE) da PJ anunciou também ontem a detenção, em finais de Janeiro, na zona de Málaga, Sul de Espanha, de um dos braços-direitos de Franquelim Lobo. Trata-se, ao que o CM apurou, de Porfírio Tomar, de 48 anos, que havia sido condenado a 14 anos de cadeia no mesmo processo em que Lobo haveria de ser condenado à pena máxima.
O homem tinha pendente sobre ele um mandado de detenção europeu. Porfírio é considerado um dos “homens de confiança” de Lobo. Segundo a PJ, tinha em conjunto com Lobo “ligações e geria poderosos interesses económicos na área da construção imobiliária na Costa do Sol espanhola e eventual branqueamento de capitais provenientes do tráfico de droga em Portugal e noutros países”. Foi apanhado em Fuengirola, a poucos quilómetros da vivenda de luxo onde Lobo foi descoberto pela PJ em Abril de 2004 após cinco anos de buscas exaustivas.
"NÃO QUERO FUGIR MAIS"
“Não quero fugir mais. Andar em fuga é como estar numa cela gigante. Não aguento mais ter de andar de um lado para o outro constantemente e olhar para toda a gente desconfiado, a pensar que qualquer um pode ser polícia”. Estas declarações de Franquelim Lobo foram feitas à revista ‘Sábado’ em Novembro, depois de ter sido libertado.
Lobo falava ao jornalista pelo telefone poucos dias antes de correr três continentes a escapar à PJ. Franquelim Pereira Lobo nasceu na Vermelha, Cadaval, há 50 anos. A quem o critica por vender droga responde que já ajudou, na rua e na cadeia, dezenas de toxicodependentes. Sempre deixou boa imagem aos companheiros de cadeia. “Até os guardas o respeitavam”, dizem, contando que tem um fraquinho por mulheres novas.
É defendido com ‘unhas e dentes’ pela família. Esta afirma que é um bom homem, que nunca faltou com nada aos seus. Como exemplo dão o facto de, enquanto esteve em Espanha, Franquelim ter adoptado uma criança deficiente, agora em Portugal com a sua família.
'CURRÍCULO' DE LUXO
A carreira de Franquelim Lobo no crime só teve início em 1985, já com 30 anos. Fonte policial refere que ele começou nas burlas e falsificações e passou pelos assaltos à mão armada. Nada disto foi provado. Em 1990 foi apanhado pela DCITE e condenado a 18 anos por tráfico. A pena foi reduzida para 13 e destes cumpriu sete anos. Saiu em Julho de 1997. Em Setembro de 1999 foi outra vez apanhado.
Dispôs-se a colaborar com a PJ. Um mês depois aproveitou o sono de dois agentes e pulou da janela do quarto (um primeiro andar) do hotel onde estava, em frente à DCITE, Lisboa. Começou aí a caça ao homem, concluída em Abril de 2004 quando foi apanhado em Espanha. Pelo meio, em 2000, foi condenado à revelia a 25 anos de cadeia. Extraditado para ser ouvido num processo em Sesimbra teve de ser libertado quando foi ilibado pelo juiz. Um erro judicial permitiu-lhe um ‘habeas corpus’ por prisão ilegal. É que alguém se esqueceu de referir, na extradição, que Lobo tinha 25 anos de cadeia por cumprir.
IDENTIDADE
Apesar de ter viajado por meio mundo, supostamente usando uma identidade falsa, Lobo foi sempre acompanhado ao longe pela PJ que, através das suas congéneres nos países por onde Lobo passou, nunca lhe perdeu o rasto. A PJ realça as “exaustivas diligências” realizadas para deter o fugitivo.
'PERIGOSO'
A PJ sustenta que Lobo está ligado a “poderosas organizações de narcotráfico” galegas, turcas e sul-americanas e é responsável pela distribuição de grandes quantidades de droga na Europa, especialmente Portugal e Espanha. A PJ rotula-o de “perigoso” e todos o apelidam de “barão da droga”.
SURPRESA
Vítor Carreto Martins, advogado de Franquelim Lobo, soube pelo CM da detenção do seu cliente. “Há meses que não sei dele, que não falo com ele”, afiançou, acrescentando não ter ainda sido notificado da detenção e pedido de extradição. Surpreendido, o advogado recusou-se a dar mais esclarecimentos.
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