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Correio da Manhã

Portugal

LOBO DA DROGA TINHA TOCA EM ESPANHA

Franquelim Lobo tinha tudo para levar uma vida confortável e parecia viver como se não existisse passado. Como se não fosse um dos traficantes mais procurados pela Polícia Judiciária, que em cinco anos correu meio mundo em busca de pistas, e como se não tivesse sido condenado, à revelia, a 25 anos de prisão, num tribunal de Lisboa.
28 de Abril de 2004 às 00:00
Morava num condomínio de luxo perto de Málaga, no Sul de Espanha, com todas as mordomias e até com uma cara nova. Foi preso no sábado mal pôs um pé fora do portão. “A operação ‘Toca do Lobo’, um longo trabalho de investigação, chegou ao fim”, explicou ao Correio da Manhã uma fonte da PJ.
A Polícia não hesita em classificá-lo como um dos “maiores traficantes de estupefacientes da última década”. E no meio criminal, Franquelim Pereira Lobo, de 49 anos, tem outro título: o de Barão da Droga. Da heroína, da cocaína e do haxixe. Nascido nas Caldas da Rainha, é em Lisboa que dá os primeiros passos no negócio do tráfico, depressa ganhando influência em zonas como o Casal Ventoso e a Amadora.
Hoje, a PJ admite que Franquelim teria já um lugar de destaque na organização, com ligações a grupos económicos do sector imobiliário. “É uma pessoa com ligações a cartéis sul-americanos e galegos. Não parece ser dos que faz. Era mais dos que mandavam fazer.”
Um lugar alcançado sem facilidades e com muito ‘trabalho’, como mostra o cadastro recheado de referências a roubos, assaltos à mão armada e, claro, tráfico de droga. Em 1991, Franquelim foi condenado a 15 anos de prisão – pena que terá cumprido apenas em parte. De novo em liberdade, de novo no negócio. Estamos algures nos anos 90. É a década a que a PJ se refere. A das ligações a grandes estruturas criminosas, a das grandes quantidades de droga que chegam a Portugal e à Europa, em especial a Espanha. Até que em 1999, a PJ volta a prendê-lo.
Franquelim, o Lobo, decide colaborar e em Setembro desse ano oferece-se para ajudar na apreensão de duas toneladas de cocaína. É instalado num hotel em Lisboa e aproveita para saltar de um primeiro andar quando os polícias adormecem.
Numa palavra, desaparece. A Justiça, essa, seguiu o seu curso. Franquelim foi condenado à revelia e à pena máxima: 25 anos. Mas continuava ausente. A PJ procurou-o no Brasil e noutros países sul-americanos. Procurou-o na Galiza, mas Franquelim, com a fisionomia alterada, acabou por aparecer em Fuenjirola, entre Málaga e Marbella, Sul de Espanha. Foi preso numa acção conjunta da PJ com a Polícia espanhola. Chamou-se ‘Toca do Lobo’.
HISTÓRIA
A FUGA
O hotel era de quatro estrelas e bem perto da PJ na Duque de Loulé, em Lisboa. Franquelim Lobo tinha 44 anos, em Setembro de 1999, mas saltou de um primeiro andar quando os polícias dormiam. Estava fora de prisão preventiva porque se oferecera para colaborar e ajudar na apreensão de duas toneladas de cocaína. Desapareceu e a fuga só foi conhecida ao fim de dois meses.
A CASA
Franquelim Lobo foi detido sábado à porta de um condomínio de luxo em Fuenjirola, a meio caminho entre Málaga e Marbella, no Sul de Espanha, onde vivia com vários empregados. Era um dia como outro qualquer, não fosse a PJ e a Polícia espanhola estarem há meses a investigar e há semanas a vigiar. A moradia, avaliada em milhões de euros, tinha vídeo-vigilância e, segundo a Polícia, “estava bem guardada”.
OUTRO 'BARÃO' EM PALEMLA
No final de Março, a Judiciária deteve outro grande ‘barão da droga’ português, quando este e o seu grupo se juntaram em Palmela, depois da chegada de um carregamento de 245 quilos de cocaína escondida num carregamento de madeira. O detido em causa, tido como um dos maiores cinco traficantes portugueses, é um empresário, residente na Quinta da Marinha, Cascais, suspeito de há vários anos chefiar uma organização de tráfico de droga, bem como de branqueamento de capitais e emissão de dinheiro e documentos falsos.
Na ocasião foi também detido um agente motorista da PJ que se suspeitar pertencer aos quadros de segurança do referido grupo.
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