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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Artigo exclusivo

Pistas de Rui Pinto apertam Luís Filipe Vieira em esquema milionários

Sacos azuis, cláusulas secretas com jogadores e prémios para adversários perderem são algumas das linhas dos processos.

10 de novembro de 2020 às 01:30

Esta segunda-feira Polícia Judiciária, elementos da Inspeção Tributária, magistrados do Ministério Público e juízes avançaram para o terreno. Foram visitadas as instalações do Benfica, do Santa Clara e também do Sporting. Os investigadores foram ainda às instalações do Benfica clube e do Santa Clara clube e estiveram em casa de diversos dirigentes desportivos.

Foram ainda feitas buscas a dois escritórios de advogados. O primeiro foi o do presidente do Santa Clara, que tem escritório em sua casa; a segunda teve a que ver com os serviços jurídicos dos encarnados.

As investigações cruzam-se. Investigam-se comissões e complexos esquemas financeiros de camuflagem de dinheiro que passaram por diversos paraísos fiscais. Investigam-se também prémios para vitórias (ver página 6,7) que beneficiavam os adversários do Sporting, quando Jorge Jesus era o treinador dos verdes e brancos. Investigam-se ainda suspeitas de corrupção na arbitragem - no processo que nasceu dos emails roubados por Rui Pinto - bem como promessas de empréstimos e compra de jogadores.

Houve também buscas à Fundação Campo Açores. Os documento apreendidos foram todos levados para o DCIAP.

No Name investigados

A investigação também chegou à claque do Benfica No Name Boys. Ontem, nas buscas realizadas ao Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), em Lisboa, os inspetores da Polícia Judiciária terão apreendido vários processos ligados à claque No Name Boys. Um dos dossiês diz respeito às contraordenações que terão sido levantadas - como o pagamento de multa e jogos à porta fechada - ao Benfica e outro ao regulamento de segurança das águias, que terá sido aprovado vários meses depois de ter dado entrada no IPDL, presidido por Vítor Pataco.

As buscas, segundo apurou o CM, tiveram como alvos os gabinetes jurídico, financeiro, patrimonial e de recursos humanos. As buscas, levadas a cabo por pelo menos seis inspetores da Judiciária, só terminaram ao final da tarde. Foram apreendidos diversos documentos que podem agora servir de prova para sustentar as suspeitas da investigação.

Carlos Alexandre visita Santa Clara

O juiz que mandou prender José Sócrates presidiu ontem às buscas ao Santa Clara, nos Açores. O magistrado esteve a acompanhar todas as diligências e validou a apreensão de muitos documentos que estavam na sede do clube.

Rui Pinto aceitou colaborar com PJ

Os emails do Benfica roubados por Rui Pinto já foram destruídos e não podem ser usados na investigação. O mesmo não acontece com o conhecimento do jovem sobre os encarnados. Aceitou colaborar com a PJ nos próximos dois anos e está a explicar vários fluxos financeiros.

Corrupção e fraude investigadas

Nos inquéritos investigam-se factos suscetíveis de integrarem crimes de participação económica em negócio ou recebimento indevido de vantagem, corrupção ativa e passiva no fenómeno desportivo, fraude fiscal qualificada e branqueamento, referiu ontem em comunicado a Procuradoria-Geral da República. No total, a Polícia Judiciária e o Ministério Público realizaram 29 buscas, oito das quais domiciliárias. Além dos clubes e das instalações de sociedades desportivas, foram ainda visados dois escritórios de advogados e nove empresas (algumas do setor imobiliário, usadas para esconder dinheiro).

Mala Ciao fez 24 buscas em 4 clubes

Em 2018, a PJ do Porto fez 24 buscas a quatro clubes - Benfica, Vitória de Setúbal, Paços de Ferreira e Desportivo das Aves - no âmbito do caso Mala Ciao.

Benfica suspeito de subornar atletas

No Mala Ciao investiga-se a alegada corrupção desportiva, com o Benfica suspeito de subornar atletas dos outros clubes para vencerem os rivais.

Compra de passes seria contrapartida

Desencadeado em junho de 2018, o Mala Ciao investiga ainda a compra de passes de jogadores como forma de contrapartida de corrupção desportiva.

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