page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Mãe presa por tráfico de estupefacientes tenta reaver bebé que raptou do hospital

Tribunal da Relação de Évora rejeita recurso a mulher que está em prisão preventiva e queria travar adoção de filha bebé. Juízes justificam decisão com falta de estabilidade habitacional e laboral.

14 de setembro de 2025 às 01:30
A carregar o vídeo ...

Mãe presa por tráfico de estupefacientes tenta reaver bebé que raptou do hospital

A criança, ainda bebé, “encontra-se institucionalizada desde o seu nascimento, não oferecendo os progenitores, nem nenhum elemento da família biológica, uma alternativa aceitável (...) a criança não tem tempo para ficar à espera de mudanças na vida dos seus progenitores que talvez nunca se venham efetivamente a verificar”. É desta forma que o Tribunal da Relação de Évora responde ao recurso da mulher que raptou o filho recém-nascido do hospital de Faro em outubro de 2023. A mulher, de 39 anos, que está em prisão preventiva por tráfico de estupefacientes agravado, viu o tribunal rejeitar um recurso com o qual pretendia reverter a decisão de adoção da bebé, decretada em fevereiro deste ano.

A menina, que nem dois anos tem, nasceu num ambiente familiar instável com os pais desempregados, sem morada certa e consumidores de droga. Veio ao mundo em outubro de 2023, num hospital privado de Faro - a mãe escolheu um privado para que a bebé não lhe fosse retirada, a exemplo de outro filho - mas os profissionais de saúde desta unidade perceberam que a mulher tinha problemas e alertaram as autoridades.

Segundo o processo, foi a unidade hospitalar privada que diagnosticou a progenitora “com VIH, carga viral mal controlada e historial de múltiplos consumos de cocaína e heroína, havendo risco de transmissão vertical para a criança”. Mal a recém-nascida teve alta deste hospital, foi internada, no mesmo dia, no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) sob terapêutica antirretroviral tripla. Nessa altura, o pai cumpria uma pena de prisão.

A 24 de outubro, quando a menina ainda estava hospitalizada, foi decretada uma medida provisória de acolhimento residencial, passando a família a estar referenciada pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens “por razões de incapacidade de tratamento da criança”. E como a mãe estava autorizada a visitar a bebé, dois dias depois, durante uma dessas visitas, meteu a menina num saco e raptou-a. Foi localizada cinco dias depois, nos arredores de Faro.

Vínculos afetivos comprometidos

Para justificarem a decisão de manterem a adoção, os juízes escrevem que “estão seriamente comprometidos os vínculos afetivos próprios da filiação relativamente a ambos os progenitores: “Numa situação em que os progenitores nunca tiveram estabilidade habitacional e laboral, são consumidores de estupefacientes, já estiveram presos, a mãe da menor encontra-se presa preventivamente (...) pode-se concluir que não lhe prestaram os necessários cuidados de alimentação, higiene, segurança, educação, saúde e bem estar.”

Bebé encontrada uma semana depois com cocaína na urina

Mãe e criança foram encontradas pela Polícia Judiciária uma semana depois do rapto, a 31 de outubro de 2023, numa casa devoluta, na capital algarvia. A menina foi transportada pelo INEM para o CHUA. A bebé apresentava urina positiva para cocaína, e como havia suspeitas de que a mãe a tivesse amamentado, a criança teve de fazer novamente terapêutica antirretroviral para VIH.

Irmão bebé adotado

A progenitora possui mais dois filhos: um maior, que vive com a avó paterna, e outro, que tem agora 3 anos e que também foi encaminhado para adoção.

Crime de sequestro agravado

A mãe, e um amigo que a ajudou no dia do rapto, vão ser julgados por sequestro agravado. Na altura a mulher ficou em liberdade, com proibição de contactos com a criança, mas, entretanto, foi presa à ordem de outro processo.

Pais obrigados a requisitos

A 4 de dezembro, a bebé ainda estava sujeita a uma medida de acolhimento temporária e os pais tinham de cumprir determinados requisitos para desenvolverem competências parentais. Não cumpriram e a bebé foi para adoção.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8