As mães adolescentes estão a diminuir em Portugal. De acordo com o estudo de uma equipa da delegação distrital de Évora da Associação para o Planeamento da Família (APF), em 1991 nasceram 107 bebés de mães com menos de 15 anos, número que desceu para 90 em 2001 (o estudo abarca estes dez anos).
Um total de 9748 bebés nasceram em Portugal em 1991, de mães com idades entre os 15 e os 19 anos. Dez anos mais tarde nasceram 6783. Esta tendência acompanha o escalão das mães menores de 20 anos. Em 1991, elas deram à luz 9855 crianças e, uma década depois, 6873. A estatística não mente e é fácil de analisar: a natalidade diminuiu no nosso país e as mães adolescentes fazem parte dessa tendência. Mas, apesar do decréscimo, Portugal está ainda no topo do 'ranking' dos países europeus em relação à gravidez na adolescência.
Esta queda foi sentida em todas as regiões. Em termos de números brutos, o fenómeno teve maior expressão na região Norte, em Lisboa e no Vale do Tejo. Estas regiões apresentam cerca de dois terços dos casos do País. Quanto às percentagens, o Alentejo teve honras de destaque, motivo que, aliás, levou à realização do referido estudo, intitulado "Mamãs de palmo e meio: gravidez e maternidade na adolescência". A Madeira (1997) e os Açores (de 1998 a 2001) estiveram também nos lugares cimeiros.
A trabalhar no terreno, na área do distrito de Évora, com jovens mães e seus companheiros, Otília Roque, psicóloga e coordenadora do referido estudo, afirma que as pequenas mães com quem tem trabalhado, em geral não têm um projecto de vida. "Para a maioria delas, a maternidade é uma mudança de estatuto. Depois de ultrapassado o receio inicial, e após contarem à família que esperam uma criança, é forte o desejo de que a barriga cresça. A partir desse momento, a criança é desejada".
De mentes libertas para uma vida nova, 'mamãs de palmo e meio' e respectivos companheiros (quase sempre mais velhos dois anos ou mais), poucas vezes passam pela angústia do onde se irá buscar o sustento do bebé. "Eles não têm a consciência de um adulto, pelo que a maioria acha que alguém os há-de ajudar. É um logo se 'verá'…"
Novas de mais para preocupações de adultos, as mães adolescentes não têm ainda os seus corpos cem por cento preparados para o crescimento de um ser dentro delas. "O risco de problemas durante a gravidez é maior nas raparigas menores de 17 anos mas, entre esta idade e os 19 anos existe também um risco biológico. Além de a estrutura física delas não estar completa, na maior parte dos casos, as raparigas contam tarde sobre o seu estado, pelo que deixam passar a altura indicada para fazer a vigilância da gravidez", explicou a enfermeira Antónia Martins, que exemplifica: "Para não se notar a barriga, não comem e adoptam uma postura errada, tentando assim encolhê-la". Do ponto de vista psicológico, as mazelas são frequentes.
Em geral, também as crianças são afectadas. Desde o momento do nascimento e durante a infância, podem ser afectadas a nível orgânico e comportamental.
VIOLÊNCIA FAZ CRIANÇAS CRUÉIS
As crianças que maltratam animais ou ateiam fogo às coisas intencionalmente podem estar apenas a reagir a situações de violência que tenham presenciado em casa.
É essa a conclusão de um estudo divulgado nos Estados Unidos e que também relaciona actos de violência doméstica com o surgimento de uma predisposição na criança para a delinquência na juventude e o crime em idade adulta.
"Casos de violência doméstica afectam a criança no desenvolvimento da sua personalidade", considera o psicólogo português Rui Manuel Carreteiro. "Quando uma criança maltrata um animal, ela projecta os seus receios sobre um ser mais frágil e vulnerável. Mais tarde, pode ser um homem, e temos um caso de homicídio", disse ao CM, acrescentando que as crianças estão a ser cada vez mais expostas a esse tipo de situações. "Actualmente temos uma sociedade quase de psicopatas. Ou pelo menos estamos a evoluir para isso."
GRAVIDEZ FOI UMA ALEGRIA
Liliana Arraia tinha 17 anos quando teve o Ricardo. Agora, com 19 anos, esta mãe adolescente tem já outra bebé, de três meses, e espera que a sorte lhe bata à porta de forma a conseguir arranjar um emprego. "Quando soube que estava grávida fiquei contente.
Há sete meses que namorava e não tomava nada para me prevenir. Depois passei a tomar a pílula mas não foi o suficiente e voltei a engravidar. Aí, sim, fiquei esmorecida. O Ricardo era ainda muito pequenino e eu não queria ter mais filhos."
Proveniente de uma família numerosa, de baixos recursos, Liliana afirma nunca ter tido medo do que quer que fosse. Nem do parto.
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