Um grupo de homens encapuzados assaltou na madrugada de sábado uma espingardaria de Santa Iria de Azóia, concelho de Loures. Os indivíduos destruíram os alarmes e candeeiros de iluminação a tiro, cortaram os telefones e arrombaram a porta do estabelecimento, de onde furtaram cerca de 40 armas (todas diferentes), entre caçadeiras, pistolas e revólveres, de diversos calibres.
Trata-se de um dos maiores furtos deste género ocorrido nos últimos anos. A GNR investiga.
Segundo apurou o Correio da Manhã, o assalto teve início pelas 04h30 de sábado, tendo-se prolongado por cerca de duas horas. Ficou tudo registado no vídeo de vigilância (onde se consegue distinguir pelo menos três indivíduos distintos) da Espingardaria Central A. Montez, cuja cassete está na posse das autoridades.
“Eles entraram nas instalações partindo o portão de acesso à via pública. Imediatamente, um homem – encapuzado – avançou em direcção ao alarme e destruiu-o com diversos tiros”, explicou ao nosso jornal o proprietário da espingardaria, António Montez.
De seguida, os assaltantes cortaram os fios de telefone do exterior do estabelecimento, desactivando definitivamente o alarme ligado a uma central de segurança, que em caso de emergência faz um contacto imediato para a GNR de São João da Talha e para casa do proprietário. Os homens passaram então para as traseiras da loja, destruindo a tiro os candeeiros de iluminação pública que estão ligados “24 horas por dia”, afiançou António Montez.
MAIS TIROS
De seguida, arrombaram – supostamente com um pé de cabra – o portão blindado de acesso ao interior do estabelecimento e, uma vez lá dentro, desactivaram, também a tiro, os alarmes interiores.
Os encapuzados, após terem ultrapassado uma segunda porta, dirigiram-se imediatamente à sala de exposições da loja. “É um espaço todo fechado, com diversos alarmes”, descreveu o proprietário. Ainda assim, os indivíduos lograram entrar no seu interior e partiram os vidros reforçados dos expositores onde se encontravam as armas furtadas.
Foram levadas pelos meliantes cerca de 40 armas. A grande maioria eram revólveres e pistolas – de marcas e calibres diversos –, embora tenham sido levadas algumas caçadeiras. Ficaram para trás apenas as carabinas de caça grossa. “Como eram artigos de mostra na exposição, julgo não terem sido levadas duas armas iguais”, lamenta-se António Montez.
Depois de terem passado duas horas a furtar as armas, os assaltantes – que não ‘levaram’ quaisquer munições – fugiram depois para um mato existente nas traseiras do estabelecimento, tendo inclusive deixado um ‘novo’ carreiro nas ervas.
O proprietário da espingardaria acredita que quem cometeu o furto “conhecia bem a loja”, já que actuou de forma programada e com a ‘lição’ estudada, indo aos locais certos. “Não me pareceu terem hesitado um momento. Sabiam onde estavam os alarmes, os telefones e as armas menos difíceis de furtar”, concluiu.
TERCEIRO ASSALTO EM APENAS TRÊS
MESES
O furto de armas ocorrido em Santa Iria de Azóia é um dos maiores dos últimos anos, mas é também já o terceiro do género no espaço de apenas três meses. O primeiro ocorreu em finais de Outubro, em Santiago do Cacém, numa espingardaria de onde foram furtadas dezoito espingardas caçadeiras, e o segundo teve lugar na Nazaré, a semana passada, com os ladrões a levarem consigo dezassete armas.
As autoridades conseguiram recuperar dezanove espingardas, onze delas recolhidas num ribeiro, para onde os gatunos as terão lançado, o que significa que ainda andarão mais dezasseis armas só resultantes destes dois últimos furtos. Com mais estas quarenta agora furtadas em Santa Iria de Azóia, não espanta, pois, que as autoridades expressem alguma preocupação, tendo os milhares de armas ilegais que já pululam no mercado.
Ainda recentemente, um ‘gang’ assaltou à mão armada uma ourivesaria na Baixa da Banheira, recorrendo a espingardas caçadeiras com os canos serrados, e tem sido comum os assaltantes abrirem fogo mesmo contra as polícias quando se sentem perseguidos ou encurralados. É que já lá vai o tempo em que as armas eram apenas procuradas por assaltantes já com “experiência”, assistindo-se agora a uma vulgarização do uso de armas de fogo na prática de crimes.
As caçadeiras continuam a ser as armas mais procuradas pela facilidade de manuseamento e pela compra livre de munições, mas o mercado ilegal tem sido também alimentado pelas pistolas de alarme transformadas para o calibre de 6,35 mm. No entanto, na criminalidade de “nível superior” vai-se também assistindo ao aparecimento de pistolas e revólveres de calibres superiores, mesmo acima dos utilizados pelas forças policiais.
CARRINHA
O grupo de assaltantes tentou ainda furtar uma carrinha pertencente à Espingardaria Central A. Montez, talvez com o intuito de a carregar com mais armas, chegando a provocar danos avultados na mesma. Como não conseguiram arrombar a fechadura, os meliantes optaram por fugir com o saque entretanto reunido.
DESCOBERTA
Os empregados e o proprietário da espingardaria apenas deram pelo sucedido às 08h00 de sábado, quando se preparavam para entrar ao serviço com o intuito de prosseguir o inventário do armazém. Estupefactos, chamaram imediatamente a GNR de São João da Talha.
CALIBRE 22
Ao que o CM conseguiu apurar, a GNR encontrou no local um grande número de invólucros de calibre .22. São dos tiros disparados pelos assaltantes contra os alarmes, candeeiros de iluminação, portas do estabelecimento e expositores. Não se sabe, no entanto, se os homens estavam armados de espingardas, pistola ou revólver.
INVESTIGAÇÕES
As investigações estão a cargo do Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento de Loures da GNR, após numa primeira altura ter sido chamada a Polícia Judiciária, que não compareceu por se tratar de um furto, crime que não se enquadra nas suas competências. Uma equipa de perícia científica já esteve no local a recolher indícios do crime.
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