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Manifesto dos 50 + exige resultados de processos e prazos cumpridos na Justiça

Subscritores da iniciativa lançada em 2024, por ocasião dos 50 anos do 25 de Abril, pretendem que sejam fixados prazos obrigatórios para procuradores e juízes na condução e apreciação dos processos.

23 de junho de 2026 às 11:17

Os autores do Manifesto dos 50+ "Por uma Reforma na Justiça" exigiram esta terça-feira conhecer o resultado de investigações e de processos "de grande envergadura" que se arrastam há anos sem chegar a julgamento.

Os subscritores da iniciativa lançada em 2024, por ocasião dos 50 anos do 25 de Abril, pretendem que sejam fixados prazos obrigatórios para procuradores e juízes na condução e apreciação dos processos.

De acordo com os responsáveis pelo Manifesto, dois anos após o lançamento deste repto "nada melhorou" e entrou-se mesmo numa fase de "normalização dos abusos".

"As mudanças legislativas em curso diminuem os direitos dos cidadãos e as suas garantias de defesa", defenderam numa posição divulgada em comunicado, no qual anunciaram a intenção de recorrer ao parlamento.

O grupo dos 50 vai, assim, propor aos partidos com assento parlamentar que legislem para que os prazos legalmente previstos nas leis processuais sejam obrigatórios e não meramente indicativos, "como têm sido interpretados pelos tribunais".

"Os subscritores do Manifesto dos 50 reagem à aprovação pelo Parlamento em 12 de junho das alterações aos Códigos Penal e de Processo Penal e ao Regulamento das Custas Processuais propostas pelo Governo no início do ano, as quais introduzem alterações que restringem direitos de defesa e impõem multas pesadas às partes por atos que os juízes considerem infundados e irrelevantes", lê-se no documento.

O movimento considerou, nesta posição, que estas normas, enviadas para a Presidência da República para promulgação, "diminuem os direitos dos cidadãos e as suas garantias de defesa".

Disse ainda que na maioria dos casos, a morosidade dos processos se deve à ação do Ministério Público.

O movimento cívico deu exemplos de processos parados durante meses ou anos: "Relatórios como o da inspeção ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) revelam a multiplicação de escutas prolongadas, anos para digitalizar provas, falhas graves de comunicação interna e, em geral, um cenário de descontrolo e falta de gestão no Ministério Público".

"Repetem-se operações com centenas de meios, de magistrados e de polícias envolvidos que, anos e anos depois, continuam sem produzir resultados: são os casos da investigação na Madeira, do processo Influencer, do processo Tutti-Fruti e da investigação ao PSD, entre tantos outros", exemplificaram os subscritores do manifesto, ao defenderem que o atual estado da justiça põe em causa o Estado de Direito.

"O país tem o direito a conhecer o resultado objetivo de tais operações e investigações: ninguém pode estar acima do escrutínio e este não pode continuar a ser adiado indefinidamente pela ausência de prazos perentórios e rigorosos", concluiu o grupo dos 50.

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