O mar voltou ontem à tarde a invadir o Clube de Campismo de Lisboa, na Costa de Caparica, inundando 70 metros de tendas e caravanas. A violência da maré foi tal que derrubou uma larga extensão do cordão dunar e destruiu a vala de escoamento, com dois metros de profundidade. O ministro do Ambiente, Nunes Correia, foi o primeiro a desvalorizar os estragos. O alerta manteve-se esta madrugada. Amanhã, o mar deverá acalmar.
Às 15h30 já o mar tinha invadido seis fileiras de tendas, ficando a escassos metros da faixa delimitada pela Protecção Civil. Longe da confusão, o ministro afirmou que as “obras de emergência” estarão no terreno em 15 dias. Os trabalhos, que custarão entre quatro e cinco milhões de euros, incluem “a reconstrução integral dos 400 metros do dique de protecção” e a “alimentação” da zona com 500 mil metros cúbicos de areia. No próximo mês, Nunes Correira conta lançar o concurso internacional para “a reconstrução do cordão dunar, entre S. João da Caparica e a Trafaria”, orçada em 15 milhões de euros.
A construção de um paredão está fora dos planos, até porque Nunes Correia entende que “iria desvirtuar a praia. Sobre os danos, o ministro sublinhou que, “felizmente, a zona afectada foi apenas a do parque, espaço de ocupação temporária”. E acrescentou: “Os parques estão onde não deviam estar, foram licenciados para zonas mais recuadas e foram-se alargando, com licenciamentos duvidosos.”
Durante a noite, as máquinas do Instituto da Água colocaram pedras junto ao paredão, para minimizar os estragos da madrugada, mas a preocupação dos autarcas foi a eventual falta de capacidade de drenagem do sistema de abastecimento local.
Henrique Carreiras, vereador da Protecção Civil de Almada, garantiu que “o rompimento do cordão dunar causou problemas”. António Neves, presidente da Freguesia, admitiu mesmo ter receio de “ver toda a Costa inundada”.
No local, João Costa, técnico do INAG, confidenciou em várias conversas: “Isto é uma perfeita catástrofe, a água escaqueirou tudo.”
PREOCUPAÇÃO NO CENTRO
A forte ondulação causou ontem momentos de apreensão no Litoral Centro, entre a Praia da Vieira, na Marinha Grande – onde um bar foi ameaçado pelas vagas – e Peniche. Nesta cidade, o mar irrompeu pela muralha do forte e no Baleal as ondas galgaram a praia. ESMORIZ ESCAPOU
Ao contrário do que se temia, as marés vivas de ontem não ultrapassaram a barreira de pedra em frente ao bairro de pescadores de Esmoriz, distrito de Aveiro. Nos dois picos de maré mais preocupantes – 03h00 e às 16h00 – as vagas não foram tão grandes como o esperado, graças ao vento que diminuiu de intensidade. De acordo com Alcides Alves, presidente da Freguesia, “o povo escapa para já, mas tem de agradecer apenas a S. Pedro e não à intervenção do INAG, que se limitou a pôr ali um amontoado de pedras que, se o mar fosse mais violento, tinham desaparecido em escassos minutos”. “O que aqui fizeram foi como darem um analgésico a alguém que sofre de cancro. Se nada for feito, temos centenas de pessoas dia e noite em sobressalto”, disse.
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