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Artigo exclusivo

Mata a mulher com quem viveu mais de 20 anos para impedir queixa na GNR

Marta Figueiredo foi repetidamente ameaçada de morte pelo homem com quem viveu mais de 20 anos.

11 de agosto de 2020 às 01:30

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Marta Figueiredo, Azambuja, violência doméstica
Marta Figueiredo, Azambuja, violência doméstica Tiago Abrantes/cmtv
Marta Figueiredo, Azambuja
Marta Figueiredo, Azambuja Tiago Abrantes/cmtv
Amigo, homicida, azambuja, violência doméstica, marta figueiredo
Amigo, homicida, azambuja, violência doméstica, marta figueiredo CMTV /Tiago Abrantes
Inspetores vão fazer análises
Inspetores vão fazer análises Inês Gomes Lourenço
Marta Figueiredo
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No domingo à tarde, Carlos Sousa, de 56 anos, conhecido como Carlos ‘Comprido’ naquela zona de fronteira entre os concelhos da Azambuja e Cartaxo, pegou numa das armas de caça que detinha legalmente e dirigiu-se à habitação onde Marta Figueiredo estava. Rapidamente gerou-se uma discussão entre os dois, que só terminou quando o caçador efetuou um disparo à queima-roupa.

Familiares da vítima que também estavam no interior da propriedade correram para a ajudar e entraram em confronto com o homicida. Conseguiram retirar-lhe a arma das mãos , mas Carlos Sousa fugiu a correr pelo portão.

Minutos depois, a cerca de dois quilómetros de distância, ouvia-se novo disparo. Quando o homicida foi encontrado estava já morto, com um tiro autoinfligido disparado com outra caçadeira que terá levado no carro. Também esta arma estaria legalizada. O casal deixa três filhas – de três, 15 e 19 anos – que receberam apoio psicológico do INEM, tal como outros familiares. n * com M.C.

Três meninas, de 3, 15 e 19 anos, perderam a mãe e o pai na tarde de domingo devido ao crime na Azambuja. Um acontecimento que as irá marcar para sempre. Mas são uma ‘gota de água’ num oceano de vítimas deixadas pela violência doméstica nos últimos anos em Portugal. De acordo com dados da Comissão para a Cidadania Igualdade de Género, em apenas quatro anos houve 2154 crianças e jovens que foram acolhidos em casas-abrigo no âmbito de processos de violência doméstica. Uma média superior a 500 por ano. Aliás, um valor que subiu em todos os anos em análise. Se em 2015 foram 450 as crianças acolhidas, em 2018 o número subiu para 611. Os dados desta Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género demonstram ainda que em 2019 foram recebidas sinalizações para 12 645 menores em situações de risco devido a violência doméstica.

pormenores

Colegas em choque

Marta Figueiredo trabalhava no armazém de fruta do centro logístico da Jerónimo Martins, na Azambuja. Os colegas de trabalho usaram esta segunda-feira as redes sociais para demonstrarem o choque sentido perante a notícia desta morte violenta.

Judiciária investiga

Devido à morte do homicida, o caso será naturalmente arquivado. Ainda assim, a Polícia Judiciária foi chamada a investigar o crime para dessa forma eliminar qualquer suspeita, como por exemplo o envolvimento de terceiros no homicídio de Marta Figueiredo.

Comando geral nega informação

A GNR recusou responder ao CM sobre a existência de queixas antes do crime, alegando que não pode “fornecer dados sobre casos em concreto, por respeito à privacidade dos cidadãos”.

“Não esperava que ele fizesse uma coisa destas”

“Era um homem sociável, bom rapaz, amigo das pessoas. Era um bom colega para os petiscos pois era caçador. Não esperava que fizesse uma coisa destas”, admitiu um amigo de Carlos Sousa à porta da casa onde ocorreu o crime, ainda na tarde de domingo.

Armas levadas para serem periciadas

As duas armas usadas por Carlos Sousa na tarde de domingo foram apreendidas e levadas pela Polícia Judiciária para serem alvo de perícias. Ambas estavam legalizadas e, segundo amigos, o homicida teria mais caçadeiras. A informação não foi confirmada oficialmente.

Três homicídios por mês em contexto de violência doméstica

No ano passado, 41 pessoas foram assassinadas em contexto de violência doméstica, refere um relatório da APAV. Em média, ocorreram três homicídios por mês. Deste total, 31 eram mulheres, sendo que 22 foram mortas por ‘ex’ ou atuais companheiros.

Violência doméstica deixa 2154 crianças em abrigos

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