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Médico administrador corrido a soco e pontapé

O povo de Paços de Ferreira fartou-se ontem e decidiu despedir-se do médico Meireles Brandão a murro e pontapé, quando este administrador da empresa SaudéVida – que até ontem geriu o Lar da Misericórdia – abandonava as instalações, depois de ceder as chaves ao novo administrador judicial.

03 de setembro de 2005 às 00:00

Provedor da Misericórdia entre 1995 e 1998, cedendo depois o lugar a um seu colaborador – que por sua vez em 2001 o passou a Lúcia Brandão, sua mulher – Meireles Brandão criou em 1999 a empresa SaudéVida que prestava serviços e geria o Domus Vitae – Lar Hotel, com capacidade para 52 idosos, mas que NEGÓCIOS SUSPEITOS

Ao longo dos últimos dez anos, a população de Paços via com preocupação a venda de terrenos e prédios da Misericórdia por preços que o actual gestor judicial, Marcelo Ribeiro, considera “suspeitos”, mas que vão agora ser alvo de auditorias. Os negócios, de resto, nem estão contabilizados nas receitas da instituição.

A gota de água que fez transbordar o copo ocorreu quando o povo leu os editais que punham à venda o edifício do antigo lar. Criou-se o movimento cívico “Salvem a Misericórdia” que interpôs uma providência cautelar que evitou o negócio.

O Ministério Público, perante a torrente de denúncias e provas que lhe eram remetidas, decidiu em Junho suspender as funções dos corpos gerentes da Misericórdia – que possui 50 por cento da SaudéVida –, para onde foi destacado um gestor judicial.

Ao longo da última década, também o número de irmãos foi definhando, mercê das expulsões arbitrárias e sem explicações do provedor Meireles, entrando apenas pessoas da sua confiança.

Queixando-se que a Misericórdia gerida por si e depois pela sua mulher deve à empresa SaudéVida por si administrada – e que não possui relatório de contas – 200 mil euros, ontem decidiu fechar o lar, criando o pânico nos idosos residentes que não têm para onde ir.

MAUS TRATOS

A existência de casos de maus tratos a idosos está a ser investigada, mas o administrador judicial assume que já foram detectados casos graves de má alimentação e assistência médica. Uma idosa está actualmente no hospital devido a má assistência no lar, ondes circunstâncias da queda que a vitimou não estão registadas no livro de ocorrências, que, estranhamente, desapareceu.

Por estas e por outras, duas centenas de pacenses compareceram ontem no lar, para a “cerimónia” de transmissão de poderes. Só que no fim, irados com o ex-administrador, decidiram punir as suas alegadas desmandas, com um bom par de socos e pontapés.

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