É um final feliz para já. A bebé russa alvo de processo de extradição de Portugal, juntamente com a mãe, vai ser devolvida à família de acolhimento, em Barcelos, abandonando esta manhã o centro de detenção do Serviço de Estrangeiro e Fronteiras, no Porto.
O Tribunal de Barcelos foi sensível aos interesses da pequena Alexandra Tsyklauri, que há quatro anos nasceu em Braga, no seio de uma família de risco.
“É um momento de grande alegria. Valeu a pena sofrer e passar por estes dias de angústia e muitos nervos para lutar pelo futuro de uma menina que ajudámos a crescer e que não podíamos deixar que voltasse a uma vida de miséria e grande desgraça”, disse ao CM Florinda Vieira, secundada pelo marido João Pinheiro, um industrial que ficou fortemente emocionado e que vincou a promessa de ajudar a mãe de Alexandra “a sair do buraco sem fundo em que caiu a sua vida”.
Natália Zarubina, de nacionalidade russa, está detida desde há duas semanas no SEF, entidade que já tinha marcado viagem de repatriamento de mãe e filha para sexta--feira. O processo está agora suspenso, já que Zarubina pode requerer visto de permanência, por forma a acompanhar Alexandra, que beneficia do direito a manter-se em Portugal por ter nascido no nosso país.
“É uma nova porta que se abre e que Zarubina vai ponderar, mas espero que aproveite a oportunidade”, adiantou Aline Campos, advogada oficiosa da cidadã russa, que se manifestou “revoltada” com as acusações de abandono, maus tratos e alegada violação de Alexandra.
Caso confirme o pedido de visto de permanência, Zarubina manterá contactos bissemanais com a filha e poderá mesmo vir a receber um emprego e uma casa em Vila Seca, Barcelos, junto à residência da família de acolhimento, conforme prometeu ontem João Pinheiro, proprietário de uma fábrica de lingotes de metal.
“Era fundamental salvaguardar o futuro da menina, independetemente de ficar ou não em minha casa. Nunca quisemos tirá-la da mãe, bem pelo contrário, porque sabemos que é importante também para uma criança ter direito à sua família biológica”, explicou João Pinheiro, que conta com a colaboração do amigo e empresário brasileiro Francisco Souza, que foi quem desafiou a família de Vila Seca a acolher Alexandra, face à “vida de prostituição, toxicodependência e alcoolismo da mãe e dos problemas de vício de jogo do companheiro”, um ucraniano em situação ilegal e paradeiro desconhecido.
SUSPEITA DE VIOLAÇÃO
A hipótese de violação da pequena Alexandra foi levantada por amigos da família de acolhimento devido a marcas que a criança apresentava no corpo quando, há dois anos e meio, passou a ficar sob o encargo de João Pinheiro e Florinda Vieira. Essas marcas – entre as quais se incluíam hematomas na cabeça – sustentaram as denúncias de maus tratos, a par dos problemas de subnutrição. A suspeita de violação foi motivada pela actividade da mãe e pela degradação do pai biológico, alegadamente viciado no jogo e no álcool. Por outro lado, a menina, por várias vezes, fez referência a actos sexuais a que assistiu. No entanto, o que foi possível apurar, nunca foi averiguada ou analisada a situação de eventual violação, apesar de ter sido feita uma denúncia telefónica para a PJ, que desvalorizou a credibilidade da denúncia.
À GUARDA
Alexandra Tsyklauri nasceu no Hospital de S. Marcos, em Braga, a 3 de Abril de 2003. A 20 de Janeiro de 2005, a mãe Natália Zarubina assinou uma declaração em que autorizava que a filha ficasse “debaixo da guarda de Maria Florinda Rodrigues Vieira, a título preventivo”.
VACINAS
A pequena Alexandra era muito conhecida da comunidade imigrante em Braga. A mãe chegou a deixá-la em cafés, enquanto se prostituía. Mas Zarubina teve sempre o cuidado de manter actualizada a vacinação da criança, conforme o CM comprovou no respectivo boletim.
FOME
Até ao primeiro ano e meio de vida, Alexandra enfrentou várias situações de fome. Apresentava problemas de subnutrição e descrevia actos sexuais a que alegadamente assistiu em casa. Quando foi entregue à família de acolhimento, teve grande dificuldade em controlar a avidez pela comida ou por um simples pão. Chegava a empurrar alimentos com os dedos pela boca adentro.
31 200 imigrantes entraram em Portugal, no ano passado, mostram dados do Eurostat.
1335 russos residiam no País em 2005, apontam dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Estimativas apontam para que a comunidade russa ascenda já aos 8500 cidadãos.
ACESSO RESTRITO
Em Janeiro, Portugal decidiu restringir o acesso de trabalhadores búlgaros e romenos ao mercado laboral do País, decisão que se mantém até 2009.
ACRÉSCIMO
O número de imigrantes com autorização de residência em Portugal registou um aumento de 4,8% em 2005, segundo dados do INE.
capital acolhe Lisboa é a cidade escolhida pela maioria dos imigrantes, seguida de Setúbal.
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