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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Militares garantiram ao Governo que não fizeram relatório sobre Tancos

Ministro pediu aos três ramos que averiguassem da existência do relatório e resposta foi negativa.

28 de setembro de 2017 às 11:48

O Exército, a Força Aérea e a Marinha garantiram ao ministério da Defesa Nacional que não produziram ou divulgaram qualquer relatório "com o teor ou âmbito" do documento noticiado pelo Expresso no sábado passado, relativo ao furto de Tancos.

O ministério da Defesa pediu na segunda-feira aos ramos para averiguarem internamente a possibilidade "de ter sido produzida ou divulgada" qualquer "informação com teor e âmbito" referidos no relatório atribuído pelo Expresso a "serviços de informações militares".

Para além dos CISMIL (centro de informações militares, no Estado-Maior General das Forças Armadas), os ramos têm também os respetivos serviços de recolha de informação.

No ofício enviado na segunda-feira aos ramos, a que a Lusa teve acesso esta quinta-feira, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, pediu respostas "com a máxima urgência", acrescentando que as notícias em causa "se referem expressamente a `serviços de informações militares" e a "documentos sobre segurança militar" referentes ao "incidente de segurança" nos paióis de Tancos que "terão sido comunicados a determinadas entidades públicas".

Na resposta, com data de terça-feira, o chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, refere que o ramo "não produziu qualquer informação com o teor e o âmbito" referidos nas notícias.

A Marinha respondeu na segunda-feira que os seus serviços "não produziram ou divulgaram qualquer relatório ou informação que possa ser relacionada com o assunto" e, na quarta-feira, a Força Aérea referiu igualmente que "não foi produzido ou divulgado" pelos seus serviços "qualquer informação com o teor ou âmbito" noticiados.

O semanário Expresso divulgou no sábado um relatório, que atribuiu aos "serviços de informações militares", com cenários "muito prováveis" de roubo de armamento em Tancos e com duras críticas à atuação do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, na sequência do caso conhecido em 29 de junho.

No domingo, o ministro da Defesa Nacional admitiu que o noticiado relatório sobre o furto de armamento da base de Tancos tenha sido "fabricado" e que possam existir "objetivos políticos" na sua divulgação.

No sábado, o Estado-Maior General das Forças Armadas divulgou um comunicado a esclarecer que o seu Centro de Informações e Segurança Militar (CISMIL) não produziu qualquer relatório sobre o assunto.

No sábado à noite, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que o documento não pertence a "nenhum organismo oficial" do Estado.

Numa nota divulgada posteriormente na sua página da Internet, o Expresso reiterou que "o documento existe e é verdadeiro" e que "foi elaborado, tal como se escreveu, para conhecimento da Unidade Nacional de Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária e do Serviço de Informações de Segurança (SIS)".

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