Três associações académicas abandonaram, sexta-feira à noite, uma reunião do movimento estudantil com a ministra da Ciência e Ensino Superior, porque Graça Carvalho não aceitou discutir a revogação da nova lei das propinas.
A Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) anunciou ter sido a primeira a abandonar a reunião, no Palácio das Laranjeiras, fazendo-o cerca das 23h20, uma hora e vinte após o início dos trabalhos.
Seguiram-se as representações de universitários da Beira Interior e de Lisboa, permanecendo na sala enviados de dez outras universidades.
José Ricardo Alves, da AAUAv, disse que tomou a iniciativa de abandonar os trabalhos "porque a ministra respondeu negativamente a um repto para discutir a revogação da lei das propinas".
"Íamos mandatados pela nossa Assembleia-Geral para provocar esta discussão e não para perder tempo com paliativos", disse Ricardo Alves.
A reunião com os estudantes integrou-se numa ronda de conversações com os parceiros do Ensino Superior, sendo o convite ministerial imediatamente recusado pela Associação Académica de Coimbra (AAC). "A reunião é, aparentemente, para discutir o Ensino Superior, mas será, mais uma vez, um monólogo", previu Vítor Hugo Salgado, dirigente da AAC , referindo-se à "abertura da contestação (estudantil), depois de a nova ministra ter afirmado que não mudaria uma vírgula à estratégia do antecessor".
'FALTA DE RESPEITO'
Após a saída dos representantes das três associações referidas, permaneceram na reunião os dirigentes da Federação Académica do Porto, das associações académicas do Algarve, Açores, Madeira, Évora, Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro, além dos alunos de enfermagem e da Federação dos Alunos do Ensino Particular e Cooperativo, da Federação Académica da Universidade Católica e da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Politécnico.
José Alberto Rodrigues, da Federação Nacional de Estudantes do Ensino Particular e Cooperativo, disse que as estruturas estudantis que decidiram abandonar os trabalhos demonstraram uma falta de respeito para com os colegas e para com a ministra.
O mesmo dirigente adiantou que a estrutura que representa é favorável às propinas por uma questão de "justiça social, uma vez que os estudantes do ensino privado, além de pagarem as mensalidades nas respectivas universidades, também pagam o ensino público através dos impostos". Igualmente a favor das propinas está o dirigente da Federação Académica da Universidade Católica.
A reunião com a ministra da Ciência e do Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho, confirmou "triste e lamentavelmente as piores expectativas dos estudantes", disse Nuno Mendes, presidente da Federação Académica do Porto (FAP).
"Não há nada de novo nem relevante. Esta reunião confirmou triste e lamentavelmente as piores expectativas dos estudantes. As nossas propostas não foram acolhidas e vamos seguir o plano de contestação de rua e nos tribunais", afirmou.
"A ministra alicerçou-se muito em alegados reforços da acção social (aumento de bolsas, residências e cantinas - representando um acréscimo de 13,2 por cento no Orçamento de Estado), mas garantiu que nas prescrições e propinas não vai mexer", prosseguiu.
Em comunicado, a Associação Académica de Lisboa (AAL), uma das que decidiu abandonar a reunião a meio, garantiu que "não negociará mais com esta tutela", nem "perderá mais tempo ou recursos a ler relatórios da OCDE à sra. ministra".
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