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MORREU A ÚLTIMA CRIADA DE SALAZAR

Era uma entre muitas no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Amares, distrito de Braga, onde passou os últimos cinco anos da sua vida, mas todos sabiam que ela tinha servido o homem que mais tempo governou Portugal no século passado. Considerada por todos como “uma pessoa simpática, educada e muito correcta, Maria Augusta morreu ontem, com 85 anos de idade.

06 de setembro de 2003 às 00:00

Oriunda de uma família humilde da freguesia de Barreiros, em Amares, onde hoje vai ser sepultada, Maria Augusta cedo teve de abandonar a casa dos pais para trabalhar.

Com apenas 16 anos partiu para o Porto para servir em casa de uma família rica da cidade, onde esteve vários anos.

Em finais da década de 40, uns familiares que tinha em Lisboa arranjaram-lhe colocação como ‘criada de casa’ dos Marqueses do Faial.

Até que um dia, já no despontar da década de 60, apareceu em casa dos marqueses uma visita muito especial: era o chefe do Governo que procurava uma cozinheira porque a sua irmã, que vivia com ele, ficou muito doente e precisava de mais uma pessoa.

Maria Augusta dizia muitas vezes às amigas que esse foi o dia mais marcante da sua vida. Contava que “o senhor doutor” lhe perguntou se ela sabia quem ele era, ao que respondeu que “sim, porque o tinha visto nos jornais”.

Dispensada pelos marqueses foi levada para casa de Salazar, tendo ficado admirada com a pobreza em que o homem que mandava em Portugal vivia.

“Habitava uma casinha humilde ao lado do palácio e quando lá cheguei não tinha nada na despensa. Ele meteu a mão ao bolso e deu-me uma nota de 20 escudos para ir às compras”, contava Maria Augusta, que não se cansava de enaltecer as virtudes de “um homem bom, amigo dos pobres e que morreu pobre”.

A humildade, a simplicidade, a bondade e a pobreza, eram, segundo Maria Augusta, as principais características de Oliveira Salazar.

Uma das histórias que repetia, era a de um dia, ao chegar à casa de Santa Comba Dão ter ficado admirada e até chocada com o quarto de Salazar: “dormia numa cama com colchão de palha, lençóis de estopa e mantas de farrapos. Nunca pensei que vivesse numa pobreza assim”, contava.

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