Polícias que estiveram no local depois dos disparos são ouvidos em tribunal.
1 / 2
Os polícias que estiveram no Bairro da Cova da Moura depois dos disparos fatais para Odair Moniz, a 21 de outubro de 2024, estão esta quarta-feira a ser ouvidos em tribunal.
A sessão começa com as declarações do chefe de serviço na esquadra da Amadora naquele dia.
O agente conta que chegou ao local já depois dos disparos e falou com Bruno Pinto, que estava visivelmente nervoso. À chegada ao local, viu um perímetro de segurança montado e Odair Moniz caído no solo a receber assistência das equipas médicas. O chefe de serviço diz que nunca se aproximou muito do corpo de Odair que estava numa zona pouco iluminada. Não fez qualquer menção à faca e afirma que ficou no local até à entrada de Odair na ambulância.
É agora ouvido o, na altura, comandante da divisão policial da Amadora. O comandante diz que soube da ocorrência às 6h00 da manhã. Visitou posteriormente o agente Bruno Pinto no hospital Amadora-Sintra, mas não visitou o local do crime. O polícia garante que as regras de abordagem (perseguição, entrada no bairro, fornecimento de dados) ao suspeito foram cumpridas.
"Regras [foram] integralmente cumpridas pela patrulha já depois de o carro se despistar. A patrulha utilizou os bastões para tentar restringir o suspeito em zonas verdes (braços, pernas). A partir do momento em que os PSP passam a ser agredidos, podem atingir outras zonas, algo que não foi feito", explica o comandante. "O agressor continua a resistir, a equipa tenta conter o suspeito até à chegada dos reforços. Houve depois acontecimentos que se precipitaram... ", admite.
"Depois de [Odair] resistir aos golpes de bastão é aí que surge o momento de clarividência do agente Bruno Pinto que decide efetuar um disparo de arma de fogo (para o ar). A escalada da força foi feita de forma correta", explica o PSP dizendo que a postura justifica a não utilização de meios como gás pimenta, considerado inferior ao bastão no grau de coerção.
"Há um momento em que o polícias tentam imobilizar o suspeito. E há um momento em que os polícias defendem a sua integridade física e a sua vida. É lembrar o que aconteceu ao Fábio Guerra... Está presente na memória de todos. Não foi preciso uma arma branca ou de fogo para matar Fábio Guerra", afirma o comandante.
O comandante da divisão policial da Amadora em funções na altura do crime refere, por isso, que não é despropositado que Bruno Pinto tenha mantido a arma na mão, porque "o movimento do Odair pode dar a entender ao agente Bruno Pinto que vai colocar a sua integridade física em perigo (ao colocar a mão na bolsa)".
Perante as declarações, o procurador pergunta quando é que é legítimo disparar duas vezes contra um suspeito.
"Daquilo que pude visualizar, a partir do momento em que existe um movimento que faz o polícia acreditar que vai ser agredido com uma arma branca...", responde o comandante.
O procurador interrompe e pede a visualização do vídeo do momento.
Ao ver o vídeo, o comandante volta a destacar que, "mesmo no momento de maior tensão da vida de um polícia, o agente Bruno Pinto teve a clarividência de efetuar os disparos como a polícia lhe ensinou".
"Nesta situação, depois de tudo o que aconteceu e das circunstâncias eu considero razoável que o agente Bruno Pinto achasse que tivesse a vida em jogo", reforça. "Depois do primeiro movimento, e na minha convicção, não é o Bruno Pinto que se dirige ao agressor é ao contrário. Acredito que o agente Bruno Pinto temeu pela sua vida".
O comandante continua a testemunhar a favor do agente Bruno Pinto e diz: "aquela hora na Cova da Moura com estes comportamentos (de Odair)... Policialmente, tudo é expectável".
As declarações desencadearam uma manifestação forte de desagrado por parte do público. O coletivo pede ordem.
O procurador questiona, então, se os disparos são legítimos. Ao que o comandante responde afirmativamente, voltando a referir o contexto e os "movimentos suspeitos" de Odair Moniz.
O procurador interrompe a última resposta e diz que não precisa de mais nada da testemunha. Perante pergunta da juíza, o comandante volta a falar de Fábio Guerra.
O advogado da família de Odair intervém e questiona: "Fábio Guerra morreu onde?"
"Morreu em Alcântara. Na Cova da Moura morreram outros...", responde o comandante.
"Odair subiu a rua para uma zona hostil onde estava mais gente, de forma a pedir auxílio ou atingir os seus fins", continua o PSP. "Neste caso em concreto Bruno Pinto fez o que aprendeu. O agente Bruno Pinto foi irrepreensível", afirma o comandante.
"Dificilmente se encontra outra ocasião onde a construção do clima de insegurança, ao longo do tempo, tenha sido tão rápido e tão grande como nesta. Conheço o agente Bruno Pinto, partilhei muitos momentos com ele. Altamente profissional, muito ponderado, numa zona e num território como aquele (esquadra da Amadora). Conhecido por ter procedimentos corretos com toda a gente", continua.
O comandante descreve o agente Bruno Pinto como "altamente profissional muito ponderado", sendo "conhecido por ter procedimentos corretos com toda a gente".
"É na rua rua principal da Cova da Moura que estão patrulheiros de grupos criminosos, nestas horas [durante a madrugada]. Foram certamente atraídos pelo aparato, para o cimo da rua principal. Não tenho dúvidas que não tinham intenções amistosas", afirma.
Seguiram-se momentos de tensão na sala de audiências. Algumas pessoas, incluindo a viúva de Odair foram retiradas da sala. Apresentaram resistência, mas acabaram por sair.
Em atualização
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.