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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

MP pede mão pesada para chefes de claque

Quatro arguidos “incentivavam” os No Name Boys a agredir apoiantes do Sporting e FC Porto. <br/>

08 de abril de 2010 às 00:30

O Ministério Público (MP) pediu ontem penas de prisão nunca inferiores a oito anos para Guilherme Beon, José Pité, António Claro e Hugo Caturna (os três últimos em prisão preventiva), considerados os quatro cabecilhas da claque do Benfica No Name Boys, que tem 37 membros a serem julgados nas Varas Criminais de Lisboa. Para todos, assegura o MP, existem indícios do crime de associação criminosa.

Nas alegações finais do processo, o MP entendeu não ter ficado provada a associação criminosa imputada, pelo DIAP de Lisboa, aos outros 33 arguidos do processo. No entanto, em face da prova produzida, a procuradora opinou que para Guilherme Beon, António Claro, Hugo Caturna e José Pité (que já vinham no despacho de acusação como líderes do grupo que agora se senta no banco dos réus) 'há indícios de co-relacionamento para a prática de crimes'.

Apontando a obtenção de proveitos da venda ilegal de bilhetes de futebol como um desses ilícitos, o MP frisou ainda o papel 'dos quatro arguidos como incentivadores dos restantes à prática de agressões a adeptos do Sporting e FC Porto'.

TRÊS CABECILHAS SUSPEITOS DE TRÁFICO

Dos quatro cabecilhas apontados pelo Ministério Público, apenas António Claro viu caírem por terra as acusações de tráfico de droga que lhe foram imputadas na acusação. Os três comparsas (Hugo Caturna, Guilherme Beon e José Pité) devem, segundo a procuradora que tem representado o MP durante o processo, ser condenados por crimes de posse e venda de droga. No entanto, os outros crimes imputados a António Claro baseiam-se nas escutas telefónicas feitas durante a investigação, bem como nos depoimentos de algumas vítimas e testemunhas de agressões alegadamente cometidos pelo arguido. Uma das várias que, para o MP, ficou provada, teve lugar na área de serviço da Ponte Vasco da Gama onde, com outros arguidos, António Claro terá agredido adeptos do FC Porto.

INCÊNDIO DE AUTOCARRO DO PORTO FOI ACTO ORGANIZADO

O Ministério Público é explícito. José Pité, apontado como um dos alegados cabecilhas da claque do Benfica No Name Boys, é alvo de indícios suficientes para ser condenado por participação no ataque e fogo posto ao autocarro da claque organizada do FC Porto, Super Dragões.

Segundo o despacho de acusação, os factos remontam a 21 de Junho de 2008, dia em que a equipa de hóquei do Porto veio jogar ao Pavilhão da Luz. Num ataque organizado por José Pité, arguidos como Guilherme Beon e Hugo Caturna regaram com gasolina o pesado de passageiros, incendiando-o de seguida. Para o MP estamos perante crimes de dano e incêndio, que devem ser imputados aos arguidos.

PORMENORES

ADVOGADOS CONVERGEM

Os dois advogados que representam os quatro cabecilhas dos No Name Boys defenderam que só há venda ilegal de bilhetes quando há fraude.

ABSOLVIÇÕES

Para o Ministério Público, alguns dos arguidos do processo devem 'ser absolvidos por falta de provas'.

TRÁFICO PROVADO

Outros arguidos, face à droga que lhes foi apreendida, 'devem ser condenados por tráfico reiterado'.

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