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Correio da Manhã

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"Fez-me passar 14 meses na prisão": amante sente-se injustiçado e pede explicação de Rosa Grilo

António Joaquim foi absolvido do homicídio de Luís Grilo. Amante falou, em exclusivo, à CMTV.
Correio da Manhã 4 de Março de 2020 às 13:37
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"A explicação que gostava de vir a ter era da Rosa Grilo": Amante revela que quer justificação da viúva
António Joaquim foi esta terça-feira absolvido do crime de homicídio qualificado e profanação de cadáver do triatleta Luís Grilo. O amante da viúva Rosa Grilo quebrou o silêncio e deu esta quarta-feira, em exclusivo, uma entrevista à CMTV.

Questionado, logo no início da conversa, se estava satisfeito com a decisão do tribunal e se foi feita justiça neste caso, António Joaquim afirmou que "sim", mas fez questão de realçar que não tem "qualquer conhecimento do que aconteceu ao Luís Grilo".

O amante da viúva Rosa disse ainda que nunca falou sobre o caso com a agora condenada desde o dia em que começou o julgamento do homicídio de Luís Grilo. Neste momento, o absolvido revela ter "curiosidade" de saber o que aconteceu e afirma que Rosa Grilo lhe deve "uma explicação".

Questionado sobre se acha se foi feita justiça nesta caso, António Joaquim diz que não sabe, porque não sabe "o que foi feito a Luís Grilo".

Depois do desaparecimento do triatleta, os dois amantes foram passear e marcaram presença no festival. Questionado sobre se esta atitude de Rosa não lhe pareceu estranha, o amante diz que não. "Nunca achei que Rosa estava a ter uma atitude estranha. A própria Rosa sentia essa necessidade. Queria afastar-se. Sentia-se deprimida", justifica realçando que, naquela altura, a viúva mostrava estar a sofrer "bastante", "ou pelo menos transmitia que sofria com o desaparecimento do Luís", continua.

Foi durante o desaparecimento de Luís Grilo que Rosa passou algum tempo com o amante. António Joaquim refere que estava com Rosa e que "era desconfortável" ver que ela "sofria" e que "não havia gente que fosse apoiá-la". O agora absolvido do crime diz que tentou "sempre apoios a Rosa" e afirma que nunca lhe "passou pela cabeça que Rosa tivesse conhecimento sobre o homicídio de Luís".

Durante esta entrevista, António Joaquim foi questionado sobre a forma como soube do desaparecimento. "A Rosa enviou-me várias mensagens numa segunda-feira a dizer que tinha ido andar de bicicleta e que não aparecia, que estava preocupada". Foi nesta troca de mensagens que a viúva terá ainda dito que estava "a pensar ir à GNR" por estranhar a demora. Ideia essa que António Joaquim diz ter apoiado.

Durante o desaparecimento de Luís Grilo, António Joaquim diz que viu sempre "a mesma atitude da parte de Rosa". E conta "honestamente" que, passados "três ou quatro dias" depois do desaparecimento do triatleta, pensou que "algo grave" podia ter acontecido a Luís Grilo, "algo que o impedisse de regressar fisicamente".

Quando apareceu, mais tarde, o cadáver, António Joaquim afirma que Rosa lhe pareceu ficar "em choque". "A Rosa ficou pasmada, chocada. Não houve nenhuma reação que me levasse a crer quer a Rosa tivesse conhecimento do que aconteceu", avança referindo que, posto isto, não houve nada que lhe "levantasse curiosidade, suspeita ou dúvida".

António Joaquim "estava em Grândola" quando se soube do aparecimento do corpo. Revela que viu "pelas notícias" e que falou com Rosa "passados alguns minutos". Pensa que falou com ela depois de a viúva já ter sido "contactada pelas autoridades".

No decorrer da investigação, António Joaquim foi detido pelas autoridades por possível envolvimento no crime. Quando isto ocorreu, o amante diz que ficou "chocado, pasmado com a situação" e associou o que estava a acontecer ao facto de existir uma "necessidade de ser ouvido" devido ao envolvimento que mantinha com Rosa.

Os dias depois da detenção foram "difíceis" visto "não haver uma justificação plausível para a minha detenção". Para o amante, esta detenção "foi um passo maior que a perna da PJ".

A investigação continuou, Rosa e o amante foram constituídos arguidos e chegou a altura de se iniciar o julgamento. Nesta altura, António Joaquim sabia que se ia cruzar com Rosa. No primeiro dia de julgamento viu a amante e afirma ter sentido "ansiedade" e "uma necessidade de questioná-la. Mas aquele não era o local".

"Cruzámos olhares de tristeza", conta afirmando pode ir visitar à viúva à prisão "talvez um dia". Agora que Rosa Grilo foi condenado, o amante diz que têm de "aguardar o resto do processo".

Foi ainda durante esta entrevista exclusiva que António Joaquim revelou que a amante se afastou dele durante o desaparecimento do triatleta. António Joaquim acredita que ia aconteceu porque "independemente de ter tido uma relação com ela, o Luís era o marido e pai do Renato, filho deles". Também nessa altura o amante sentiu que se afastou "um pouco" de Rosa porque "ela estava a passar uma situação difícil", precisava de espaço".

Ao longo de todo o processo, António Joaquim diz que a família sofreu. "Sofreram e ainda hoje sofrem bastante", atira revelando que, apesar de tudo o que foi dito, os familiares acreditam na sua inocência "desde o primeiro minuto".

Questionado pelas jornalistas da CMTV - entrevista moderada pela jornalista Andreia Vale contou com a presença de Tânia Laranjo, que acompanhou o caso desde o início - se tinha medo de voltar para a prisão, António Joaquim não hesitou em responder que não: "não, porque estou inocente".

Momentos antes de terminar esta entrevista, António Joaquim foi ainda questionado se tinha conhecimento de que Rosa Grilo sabia utilizar uma arma. "Não faço ideia", disse. No entanto, o homem revela que foi ele que lhe mostrou a arma que possui e ainda contou que "ela [Rosa Grilo] sabia perfeitamente onde estava a arma".

Algumas das perguntas desta entrevista foram ainda direcionadas para a tese dos angolanos sempre defendida pela principal arguida do caso. Questionado se alguma vez os viu, António Joaquim diz que "não". E chega mesmo a referir que acredita que "Rosa mentiu". 

O amante que afirma que não voltaria para Rosa Grilo afirma que neste momento o que sente por ela é "revolta e desilusão". Neste momento "gostaria" sim de "ter uma explicação" para todo o sucedido.

Foi durante a fase de julgamento que António Joaquim foi libertado por não existirem provas concretas contra ele. Foi informado que ia sair pelo advogado - Ricardo Serrano Vieira que afirmou, também esta quarta-feira na CMTV ter sempre acreditado na inocência do cliente.

Neste momento, António Joaquim sublinha que a "única" coisa que quer é "uma explicação da Rosa". "Fez-me passar 14 meses na prisão quando eu não devia ter lá estado".

Agora que já se conhece a sentença do julgamento deste caso, o amante diz que quer "voltar ao trabalho, às rotinas habituais". Considera ainda que os colegas vão "receber bem, como sempre".

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