Daniel referiu também que “não terão sido cumpridos" os requisitos para a referenciação das gémeas.
O ex-presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, Daniel Ferro, afirmou, esta terça-feira, que “não terão sido cumpridos" os requisitos para a referenciação das gémeas luso-brasileiras tratadas com o medicamento Zolgensma.
“Entendo e compreendo que a intenção do diretor clínico - Luís Pinheiro, talvez, foi simplificar um processo que do ponto de vista formal teria algumas formalidades que não foram cumpridas. Havia situações claras nesta situação que não eram de todo comuns de um utente normal do Serviço Nacional de Saúde”, referiu Daniel Ferro, no âmbito da Comissão de Inquérito ao caso das gémeas tratadas no Santa Maria.
Confrontado sobre se teve contacto com o Presidente da República ou com o gabinete da presidência sobre o caso das gémeas, Daniel Ferro nega e garante que a única vez que falou com Marcelo foi por causa da pandemia da Covid-19.
Questionado se confirma que a consulta foi marcada a pedido da secretaria-geral da Saúde, como indica o relatório do IGAS, Daniel disse não lhe parecer que seja um procedimento comum.
De acordo com o ex-presidente, “o Conselho de Administração teve conhecimento por aquilo que o diretor clínico ia reportando do pedido que tinha chegado da secretaria de Estado”.
"Tive informação de acompanhamento de que teria havido um pedido, um e-mail, relativamente a uma consulta para umas crianças que provavelmente iriam desencadear um tratamento”, afirmou.
Daniel Ferro diz ter expressado “alguma preocupação", pelo facto de vir acompanhado por informação que "não incluía apenas estas crianças, mas inclui várias outras crianças noutros países".
“Foi um estrangulamento da gestão financeira”. Para o ex-presidente, o Santa Maria não estava preparado para um custo “com esta dimensão”. “O hospital não estava preparado para dar execução a uma situação com esta dimensão, porque já o que tinha ocorrido em agosto tinha causado grandes transtornos na tesouraria do hospital, porque passados 60 dias tivemos de pagar 4 milhões de euros, que no fundo não tínhamos previsto nas nossas necessidades e isso foi um estrangulamento da gestão financeira durante o exercício de 2019, perspetivando-se ali não um, nem dois, mas mais tratamentos do que isto, então isto seria o caos de tesouraria, já para não dizer o caos orçamental. Quatro ou cinco pedidos destes normalmente implicaram verbas que a instituição não tinha possibilidade de aportar”, garantiu Daniel.
Daniel Ferro nega ter recebido pressão do exterior para o medicamento ser administrado. "Se houvesse pressão, o medicamento não era aplicado em maio ou junho, teria sido aplicado em fevereiro, ou março. Isso significa que a instituição tentou controlar do ponto de vista racional deste processo, independente das pressões da família, de quem quer que seja”.
Sobre o contacto com Lacerda Sales, o ex-presidente garante ter sido o próprio a contactar o ex-Secretário de Estado. “Não foi o senhor secretário de Estado que me contactou sobre este assunto, fui eu que o contactei e exclusivamente para a questão financeira. O senhor secretário de Estado, a mim, nem sequer me falou ou questionou sobre a assistência às crianças, o tratamento às crianças, eventualmente terá feito na pessoa do senhor Luís Pinheiro, não a mim”.
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