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Correio da Manhã

Portugal
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"Não sabia o que fazer com a faca"

Carlos Duarte, de 36 anos, esfaqueou a mulher, à frente dos filhos, para evitar o divórcio.
Ana Sofia Coelho 28 de Março de 2015 às 21:02
Carlos Duarte, que está em prisão preventiva, começou a ser julgado esta sexta-feira, em Gaia
Carlos Duarte, que está em prisão preventiva, começou a ser julgado esta sexta-feira, em Gaia FOTO: DR
Peguei numa faca, trazia-a no bolso e era para ela [mulher]. Mas não sabia o que iria fazer com a faca. Estava afetado psicologicamente." Foi assim que Carlos Duarte, de 36 anos, explicou ontem ao coletivo de juízes do Tribunal de Gaia o que aconteceu no dia em que esfaqueou a mulher, à frente dos filhos. Queria evitar o divórcio.

O homem, que está preso, começou a ser julgado por tentativa de homicídio e violência doméstica. De acordo com o Ministério Público, o arguido terá agredido e ameaçado de morte a vítima durante os 15 anos de casamento. Carlos Duarte só confirmou duas agressões, uma das quais foi a 18 de junho do ano passado, quando esperou que a mulher saísse do Hospital de Gaia, com os dois filhos menores, para a atacar. Queria saber porque é que ela saiu de casa. "Era um sentimento de amor muito forte que eu tinha por ela. Aconteceu o que eu não queria que acontecesse", diz.

A vítima foi esfaqueada no abdómen, no braço e nas costas. De acordo com o MP, só não morreu porque foi prontamente assistida no local. "Espetou-me quatro facadas", contou a mulher em tribunal. Disse ainda que era constantemente agredida.

"Durante 15 anos, ouvi coisas e fui agredida, e acho que não merecia", referiu. O casal, que se divorciou este ano, vivia em Perosinho. O arguido arrolou como testemunha de defesa o pároco da freguesia, que é também o atual padre de Canelas.
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