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Nasceu o primeiro clone de um cão

Aumenta de ano para ano a lista dos animais que entraram para a história da clonagem, um processo científico que permite a reprodução de um ser idêntico a outro. Desta vez foi um cão que foi reproduzido com sucesso a partir de células de um animal adulto.

05 de agosto de 2005 às 00:00

Chama-se Snuppy e nasceu numa terra onde, curiosamente, a carne de cão é uma iguaria apreciada: a Coreia do Sul. Se até o melhor amigo do homem já foi clonado, muitos se perguntam o que virá a seguir.

A experiência, divulgada na edição de ontem da revista científica ‘Nature’, permitiu o nascimento de dois cachorrinhos da raça galgo afegão, mas um deles morreu pouco após o nascimento. O outro, no entanto, aparenta ser saudável. Passadas 16 semanas, Snuppy inscreve assim o seu nome numa lista de celebridades que incluem a famosa ovelha Dolly, o gato CC e o rato Ralph.

De acordo com os cientistas, o objectivo primordial desta experiência é aprender mais sobre as causas de raiz de graves doenças humanas. “O cão tem características semelhantes aos seres humanos”, considera Hwang Woo-Suk, que liderou a equipa da Universidade Nacional de Seul. “Algumas das suas doenças são quase iguais às humanas.”

A EXPERIÊNCIA PASSO A PASSO

Snuppy foi gerado a partir de uma célula retirada da orelha de um galgo afegão adulto. Os cientistas retiraram o material genético dessa célula e implantaram-no numa célula-ovo sem núcleo. O ovócito foi então estimulado para começar a dividir-se e a desenvolver-se num embrião. Uma vez em crescimento, o embrião foi transferido para uma ‘mãe de aluguer’ – uma cadela de raça labrador amarelo. Após 60 dias de gestação, o cachorrinho nasceu de cesariana... e é a cara do pai.

UM PONTO A FAVOR DA CLONAGEM

A experiência foi vista como “mais um ponto a favor da técnica da clonagem em geral” por Ricardo Ribas, um dos maiores especialistas portugueses em clonagem. Actualmente a trabalhar no desenvolvimento de uma técnica simplificada de clonagem de ratinhos, no Instituto Roslin, em Edimburgo, Ribas considera a clonagem de animais “aceitável”, embora estabeleça limites no que toca a clonar seres humanos. “Em humanos, a técnica não deve ser usada com fins de reprodução e não creio que isso venha a acontecer”, disse ao CM. Para o cientista, de 28 anos, a clonagem é “um tema polémico”, mas deve ser visto com mais naturalidade. “A clonagem de embriões para a obtenção de células estaminais com fins terapêuticos pode ser uma saída para a medicina. Clonar animais ajuda a desenvolver a técnica”, explica.

A CÉLEBRE VELHA DOLLY

Clonagens bem sucedidas – com rãs e carpas – já tinham sido feitas bem antes, mas quando a ovelha Dolly nasceu, em 1996, fruto do trabalho da equipa do escocês Ian Wilmut, foi uma sensação. Isto por ter sido concebida a partir da utilização do material genético recolhido de um animal adulto, ainda por cima tratando-se de um mamífero. Enquanto muitos sonhavam com o dia em que a mesma técnica seria aplicada ao ser humano, noutros essa imagem provocava pesadelos. Nascia assim uma das maiores polémicas éticas da ciência moderna. O debate alargou-se e levou a criação de restrições no uso de embriões humanos que tem dificultado a sua utilização ainda que para fins terapêuticos e não se reprodução. Em 2003, Dolly foi sacrificada por sofrer de uma dolorosa doença pulmonar.

As técnicas modernas de clonagem envolvendo a transferência de núcleos já foram bem sucedidas em experiências realizadas com várias espécies (em ordem cronológica). Um marco importante foi o da ovelha Dolly, na Escócia, o primeiro clone obtido a partir de células de um outro animal adulto.

-1952 Rã

-1963 Carpa

-1996 Ovelha (Dolly)

-1998 Rato (Ralph)

-2000 Macaco rhesus

Porco

-2001 Bisão

Vaca

Gato (CC)

-2003 Coelho

Mula

Veado

Cavalo

Ratazana

-2004 Mosca da fruta

Embrião humano

-2005 Cão (Snuppy)

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