Novo diretor nacional da PJ falava aos jornalistas no final da cerimónia da tomada de posse. Suspeito de ataque na manifestação ficou em prisão preventiva.
O novo diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) assegurou esta quinta-feira que não houve cedências à pressão mediática no caso do detido preventivamente por atirar um 'cocktail molotov' numa manifestação, agora indiciado por crimes de terrorismo.
"A Polícia Judiciária não cede a pressão mediática, a Polícia Judiciária cede aos factos e cede ao caminho que tem que percorrer em termos de investigação. O 'timing' que foi o conveniente para fazer esta ação no dia de ontem [quarta-feira] foi aquele que foi considerado necessário para chegar a bom porto e ter indícios suficientes para suportar a detenção e a manutenção, neste caso, em prisão preventiva", disse Carlos Cabreiro.
O novo diretor nacional da PJ falava aos jornalistas no final da cerimónia da sua tomada de posse, que decorreu no Salão Nobre do Ministério da Justiça, na presença da ministra Rita Alarcão Júdice, do primeiro-ministro Luís Montenegro, do procurador-geral da República, Amadeu Guerra, e do seu antecessor e agora ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Carlos Cabreiro referiu que o caso "teve uma primeira avaliação e que passado algum tempo foi retificada e foi enviada a investigação para a PJ" e admitiu que pode estar em causa um crime de ódio.
"Isso é algo que estamos a avaliar e o crime de ódio também pode estar subjacente", disse.
O homem detido na quarta-feira por infrações terroristas por ter alegadamente atirado um 'cocktail molotov' contra a Marcha Pela Vida, em março, vai aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva, decidiu, esta quinta-feira, o tribunal.
Ricardo Sá Fernandes, advogado do detido, que anunciou recurso da medida de coação, afirmou também que entre março e esta semana "não há nada de relevante e novo, a não ser a enorme pressão mediática a que" o caso "foi submetido".
Depois de o primeiro-ministro se ter referido no seu discurso na cerimónia ao crime de tráfico de droga como um crime que dá origem a outros igualmente graves como homicídios e raptos, o novo diretor nacional da PJ rejeitou que esse seja o retrato do país, recusando que Portugal "esteja rendido" ao tráfico de droga e crimes associados ainda que admite que, em alguns casos, há crimes deste associados ao tráfico.
Sobre o alerta do primeiro-ministro de que ainda que Portugal não seja considerado atualmente um país violento isso não significa que tal não venha a acontecer, Cabreiro reiterou que o país é um dos mais seguros dos mundos, segundo as estatísticas.
Cabreiro defendeu que "todo o mundo está um pouco diferente na forma como o crime pode proliferar", acrescentando que "o que compete à PJ, no caso em concreto, é estar atenta, estar atenta quer no campo da prevenção, quer no campo da repressão".
Questionado sobre se coloca no topo das prioridades o combate ao tráfico de droga ou à corrupção, o novo diretor nacional marcou as diferenças: "Nós não podemos escalonar e dar números às prioridades, porque se são prioridades, elas têm que ser associadas e têm que ser consideradas prioridades a que vamos olhar de igual modo".
Nos seus maiores desafios à frente da PJ colocou a criminalidade económico-financeira; o tráfico de droga, pela ligação ao crime organizado; o crime informático, pelo seu caráter de crime de massas, por poder afetar infraestruturas críticas e por potenciar outros crimes.
Sobre o tempo decorrido desde a saída de Luís Neves para substituir Maria Lúcia Amaral no Ministério da Administração Interna até à sua nomeação como novo diretor nacional da PJ, Luís Cabreiro reiterou as palavras do primeiro-ministro, que disse que a escolha levou o "tempo necessário" e rejeitou considerar estranho os quase dois meses decorridos quando estava definido que o novo diretor seria escolhido dentro da PJ.
"Não o considero estranho, mas nem deixo de estranhar. É algo que não está dentro da minha possibilidade de decidir", disse.
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