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Correio da Manhã

Portugal
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"O meu irmão teve um ataque de loucura"

Irmãs de Paulo da Cruz sem explicações para a tragédia.
Paula Gonçalves 29 de Maio de 2016 às 13:51
Irmãs de homem que matou a família não encontram explicação para o triplo homicídio
Irmãs de homem que matou a família não encontram explicação para o triplo homicídio FOTO: Ricardo Almeida
As irmãs de Paulo da Cruz, o homem de 41 anos que matou a família a tiro e se suicidou em Faíscas, Montemor-o-Velho, não conseguem encontrar uma explicação para a tragédia.

"O meu irmão teve um ataque de loucura para conseguir fazer uma coisa destas", referiu uma delas a uma amiga, que não quer ser identificada.


Na noite de quinta-feira, Margarida Gomes e Elizabete Gomes perderam os pais, a avó e o irmão. "Estão a viver momentos de desespero completo", descreve a amiga. Ontem, as duas irmãs, emigrantes no Luxemburgo, estiveram em casa dos pais a preparar as roupas para os funerais.

Os motivos que estiveram na origem da tragédia continuam a intrigar toda a população. A um amigo, o homicida, que era motorista de autocarros, confessou que se despediu da empresa onde trabalhava e saiu do Luxemburgo depois de ter sido ameaçado de morte.

"Contou-me que tinha recebido duas ameaças de morte e que a segunda tinha sido mais séria e já metia árabes. Por isso deixou o país." Paulo da Cruz não aprofundou a questão. "Disse só que estava relacionado com a emigração e que cada vez havia mais gente e todos queriam ocupar os melhores lugares."

Paulo Pronto, um dos melhores amigos, ouviu-o queixar-se dos sindicatos: "Disse que tinha chegado à conclusão que não serviam para defender os direitos dos trabalhadores." A saída do Luxemburgo e o facto de não ter arranjado trabalho "deram-lhe a volta à cabeça", acredita. No dia dos crimes, quando a mãe recordou o episódio de infância, em que degolou cinco pintainhos, "foi o rastilho para esta tragédia".


Paulo Pronto notou uma transformação grande no último mês e meio. "Não era o mesmo. Andava abatido, triste e fechava-se em casa." Acredita que se tivesse arranjado emprego "estaria ocupado e talvez nada disto teria acontecido".
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