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'Operação Lúmen': PJ apreende e-mails e procura rasto dos lucros

Ainda só começou a ser ouvido Fernando Alves, administrador da empresa Castros Iluminações Festivas. Restantes suspeitos no caso de corrupção com as luzes de Natal só hoje devem falar ao juiz de instrução.

20 de março de 2026 às 01:30

Foram as buscas mais longas: aconteceram na Secretaria-Geral da Câmara de Lisboa, onde os inspetores da Polícia Judiciária do Porto, o procurador do Ministério Público e o juiz Pedro Miguel Vieira estiveram várias horas, no âmbito do processo em que se investigam suspeitas de corrupção com iluminações de Natal. Passaram os computadores a pente fino e os peritos continuaram a descarregar ficheiros informáticos mesmo depois daqueles saírem para o Porto, onde Alberto Laplaine Guimarães foi levado para a cadeia. Apreenderam centenas de comunicações por email.

Para já, o homem-forte da autarquia ainda não prestou declarações e não se sabe se o fará hoje. Foi apenas ouvido Fernando Alves, administrador da empresa Castros Iluminações Festivas, com sede em Vila Nova de Gaia, e o interrogatório nem sequer terminou. Deverá depois ser ouvida a funcionária, faltando ainda Laplaine Guimarães e Carla Salsinha, que liderava a União de Associações do Comércio e Serviços (UACS). Sabe-se já que antes de segunda-feira não haverá medidas de coação.

Certo, também, é que só depois da promoção do Ministério Público Pedro Miguel Vieira decidirá se os arguidos se mantêm presos, enquanto aguardam o despacho. Dependerá de o facto de o Ministério Público pedir, ou não, medidas de coação privativas da liberdade: se o fizer, é provável que os quatro, que foram detidos na terça-feira, se mantenham na cadeia anexa à PJ do Porto pelo menos até segunda-feira. Caso contrário, podem ser libertados e regressarem ao Porto, para a semana, para conhecerem a decisão judicial.

As próximas semanas também serão determinantes. A prova agora recolhida será analisada, designadamente as conversações informáticas que poderão sustentar os crimes de corrupção ativa e passiva.

Também os telemóveis que foram apreendidos deverão ser sujeitos a perícias diversas, enquanto a investigação tentará analisar a documentação recolhida. O que se sabe já é que pelo menos em Lisboa não havia contratos, consulta prévia ou análise das melhores propostas. A Castros ganhava sempre a iluminação de Natal, na cidade, e cerca de 5% dos montantes envolvidos regressavam depois à UACS. Foi já pedido o levantamento bancário dos arguidos para apurar se há rasto do pagamento de ‘luvas’. Para já, esse dado ainda não está apurado pela PJ do Porto.

Segundo a investigação, a empresa ganhou mais de oito milhões com contratos públicos viciados.

E também

Moedas abre inquérito

A Câmara de Lisboa informou esta quinta-feira, num despacho assinado pelo presidente Carlos Moedas, que ordenou a “abertura de um inquérito” interno na sequência da ‘Operação Lúmen’, que resultou em buscas na Secretaria-Geral da Câmara de Lisboa, tutelada nos últimos 15 anos por Alberto Laplaine Guimarães.

Investigação 

Há mais câmaras debaixo de fogo. Para já, a PJ concentra a atenção na Câmara de Lisboa, mas haverá outras autarquias onde poderá haver presos ou pelo menos arguidos, nas próximas semanas. Tudo começou na Câmara da Trofa.

Suspender funções

Carla Salsinha poderá hoje apresentar a suspensão de funções, para mitigar os perigos que podem levar ao decretar de medidas de coação graves.

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