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Por causa do anúncio do padre franciscano Nuno Serras Pereira, considerado pela Igreja demasiado fundamentalista, os bispos portugueses podem deixar de apoiar alguns dos movimentos pró-vida existentes no nosso país.
Fonte da Conferência Episcopal Portuguesa disse ao Correio da Manhã que “existem fundadas suspeitas de que o anúncio tenha sido pago por algum ou alguns desses movimentos”.
“Para fazer passar a sua mensagem, cada vez mais radical e fundamentalista, alguns movimentos ou pessoas ter-se-ão servido da imagem do padre Serras Pereira, que é um conhecido apaixonado pelas temáticas ligadas à defesa da vida”, disse a mesma fonte. E acrescentou que “isto não foi nada útil para a Igreja, nem para os franciscanos nem para os que lutam contra o aborto”.
O próprio Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, que preside à Conferência Episcopal, disse ontem no Telhal que “o que está escrito no anúncio não é a posição oficial nem a atitude pastoral da Igreja”.
“Como todos os apaixonados, o padre Nuno exagerou na defesa das suas posições”, disse D. Policarpo, explicando que “uma coisa é a condenação moral de certos comportamentos graves e outra é o tratamento pastoral dessas pessoas”.
Sem dizer se o sacerdote devia ou não sofrer qualquer consequência por esta sua “exagerada e inadequada” tomada de posição, o Cardeal Patriarca sublinhou apenas que da parte da diocese isso não acontecerá “porque ele não tem qualquer responsabilidade pastoral”.
A DOR FRANCISCANA
Mas se o anúncio, que ontem foi notícia de em grandes meios de comunicação social internacional, nomeadamente na Polónia, revoltou a Igreja em geral, escusado será dizer que caiu como uma bomba na comunidade franciscana a que o sacerdote pertence.
“Os frades seguidores de S. Francisco devem ser humildes e discretos, precisamente o contrário do que encerra a atitude do padre Serras Pereira”. Foi assim que reagiu, em declarações ao CM, um antigo provincial dos franciscanos em Portugal.
Pretendendo manter o anonimato, “para não condicionar a acção do actual provincial, padre Isidro Lamelas, este antigo responsável pela Ordem dos Frades Menores, disse que o padre Nuno Serras Pereira “caiu na tentação do protagonismo e escolheu, para lá chegar, a via do fundamentalismo e do radicalismo, com a agravante de ter condenáveis características egocêntricas”.
O anúncio é visto pelos frades menores como algo “sem sentido”, vindo de alguém que “tenta afirmar-se através da polémica”, o que “não agrada a ninguém”.
Alguns dos frades e sacerdotes franciscanos contactados pelo CM lamentaram a atitude do padre Serras Pereira e até o facto de ele ter regressado à Ordem.
POPULARIDADE E POLÉMICA NA INTERNET
Os textos do padre Nuno Serras Pereira são bastante populares na internet, sobretudo quando o tema é o aborto. Mas há outros assuntos polémicos, que levam o pároco a ser citado em vários ‘sites’, nomeadamente no do Partido Nacional Renovador, uma força política de extrema-direita.
Assim, ao lado de textos em defesa de Le Pen e contra os apoios estatais aos imigrantes, surgem tomadas de posição do padre sobre os mais variados assuntos. “É urgente baixar a idade do casamento”. Este é, sem dúvida, um dos artigos mais curiosos. Nuno Serras Pereira defende o casamento antes da maioridade e as virtudes do “destramento” numa comunhão. Tudo em nome da natalidade, pois “perdido o vigor próprio dos anos mais jovens” as pessoas “não se atrevem a ter muitos filhos”.
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