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Correio da Manhã

Portugal

Pânico nas escutas de militares leva PJ ao dinheiro

Aflitos com buscas telefonaram às mulheres para destruírem as provas e esconderem fortuna em notas das luvas.
Sérgio A. Vitorino e Henrique Machado 10 de Novembro de 2017 às 01:55
Major-general Milhais de Carvalho está em prisão preventiva há 4 meses
Aviões F-16 da Força Aérea Portuguesa na Base Aérea de Monte Real
Major-general Milhais de Carvalho está em prisão preventiva há 4 meses
Aviões F-16 da Força Aérea Portuguesa na Base Aérea de Monte Real
Major-general Milhais de Carvalho está em prisão preventiva há 4 meses
Aviões F-16 da Força Aérea Portuguesa na Base Aérea de Monte Real
Apanhados de surpresa pelas buscas da PJ a 3 de novembro de 2016, os militares da Força Aérea envolvidos na corrupção das messes - chefiados pelo general Milhais de Carvalho - entraram em pânico.

Os que ainda tiveram tempo agarraram nos telemóveis e ligaram aflitos às mulheres, que estavam em casa, e uns aos outros – para que escondessem ou destruíssem provas. Só que estavam sob escuta e, em alguns dos casos, disseram exatamente onde escondiam o dinheiro – o que facilitou o trabalho da PJ.

Apesar dos 400 elementos da PJ no terreno nesse dia, em 180 buscas, na investigação da Unidade de Combate à Corrupção, a rede era tão extensa - estão acusados 40 militares e 46 empresários e empresas - que houve quem escapasse às primeiras horas. O capitão Carlos Dias, "homem de mão" de Milhais de Carvalho na Direção de Abastecimento e Transportes e que depois passou para a messe da Base de Sintra (onde entregava 500 €/mês ao general), estava fora num serviço em Oeiras. Alertou a mulher para ela ir a casa e mudar o dinheiro. E destruiu faturas de fornecedores.

Já o capitão Nuno Neves, da Base de Beja, também estava fora quando a PJ lá foi e ligou à mulher a pedir para esconder "roupa [dinheiro]" que guardava numa gaveta, denunciando onde tinha as notas. As escutas em tempo real permitiram ainda descobrir uma fuga de informação. O tenente-coronel Jaques Tiago, da base do Montijo, avisou o capitão Bruno Prazeres de que os investigadores da Judiciária iam a caminho e mandou-o destruir documentos.

Contrapartidas em cheque 
Um relatório do Tribunal de Contas revela que o programa de contrapartidas pela compra de aviões C-295 arrisca incumprimento, registando no final de 2016 uma taxa de execução de apenas 30,9%, com prazo limite em 2018. A auditoria à Direção-Geral das Atividades Económicas, diz ainda que esse contrato foi renegociado em 2012, com críticas do tribunal.

Entre 2001 e 2008, foram celebrados oito contratos de contrapartidas pela aquisição, a empresas estrangeiras, de material de defesa, prevendo investimentos na economia portuguesa num montante estimado de 2746,4 milhões de euros e 173,9 milhões de dólares. Até dezembro de 2016, tinham sido executados investimentos no valor 2195,7 milhões de euros.

Dos contratos já executados, o Tribunal de Contas destaca os submarinos (concluído a 100%) com contrapartidas acumuladas de 1304,3 milhões de euros.

Os contratos das aeronaves P-3C Orion e da modernização dos caças F-16 "foram concluídos com uma taxa de execução de 101,4% e de 143%".
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