O agressor avança de faca em punho, garrafa partida ou atiça o cão e a polícia não responde a matar, dispara dois arpões de metal ligados a fios de cobre e a corrente eléctrica faz o resto – derruba o suspeito até dez metros com uma forte picada no corpo. Grávidas e crianças não podem ser alvejados, mas, face à ameaça, a Taser X26 é a arma não letal. E o novo equipamento foi ontem apresentado em Lisboa pela PSP, que está a formar os agentes para operar com as 75 novas pistolas.
O laser na mira garante precisão no disparo e as costas são o alvo preferido – os dois arpões furam a roupa e atingem “a zona de menos gordura”, longe dos olhos, explica ao CM o intendente Pereira Lucas, comandante do Corpo de Intervenção.
Nos Estados Unidos dois suspeitos perderam a vista em consequência dos disparos, mas são casos isolados: “O choque provoca dor mas a marca é mínima no corpo e não há qualquer registo de paragem cardíaca”, diz o comandante. “São 1200 volts à saída, com amperagem muito reduzida. Não afecta ninguém que tenha problemas cardíacos e até pacemaker”.
O primeiro disparo provoca uma descarga em ciclo automático de cinco segundos – o tempo suficiente para um adulto normal tombar no chão. “A arma actua no sistema nervoso central aos níveis sensitivo e muscular”. Primeiro há uma sensação de dor e depois o suspeito fica imobilizado, largando o que tem nas mãos: “Incapaz de reagir e tornando a ameaça nula”, acrescenta Pereira Lucas.
O alcance depende dos cartuchos utilizados com fios de cobre entre 4,5 e dez metros. Uma cápsula de nitrogénio comprimido projecta os arpões que levam os fios e estes passam energia. Os vários cenários são recriados em “situação stress”. A demonstração a jornalistas, ontem de manhã, no quartel do Corpo de Intervenção, foi feita pelos 75 futuros formadores, que completaram eles próprios a formação. Todos foram submetidos a um disparo da Taser “para conhecerem os efeitos da arma que utilizam”.
DISTRIBUIÇÃO
As 75 Taser X26 são assim distribuídas pela PSP: 35 armas para o Comando Metropolitano de Lisboa, 25 para o Corpo de Intervenção (Lisboa, Porto e Faro), 10 para o Corpo de Segurança Pessoal e 5 para o Grupo de Operações Especiais.
MEMÓRIA
Os abusos de autoridade com a Taser são controlados pela memória em cada pistola eléctrica: cada utilizador insere um código e ficam apontados os dias e horas de cada um dos últimos 1500 disparos – todos os arpões utilizados.
MAIS EFICAZ
A Taser X26 é mais moderna do que a M26, em Portugal só ao dispor do Grupo de Operações Especiais desde 2004. A X26 foi lançada há três anos e é mais eficaz na imobilização, já ao serviço das polícias alemã, holandesa ou americana.
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