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PJ sabia desde janeiro onde se escondia a enfermeira assassina

Mariana Fonseca tinha os passos estudados.

30 de março de 2026 às 01:30

Desde Janeiro que a Polícia Judiciária sabia exatamente onde estava Mariana Fonseca, a enfermeira assassina já presa na cadeia de Tires. Mas foi só nos primeiros dias de março que a Interpol cumpriu em Jacarta, na Indonésia, o mandado de captura, emitido no nosso País, desde julho, após Mariana ter deixado um vídeo onde assumia que se ia ausentar de Portugal por entender estar inocente e não querer cumprir os 23 anos de prisão pela morte de Diogo Gonçalves, em 2020 no Algarve. Tal como o CM já tinha noticiado, Mariana Fonseca foi apanhada depois de passar férias com a família que partiu de Portugal para ir ao encontro da enfermeira, o que aconteceu na Tailândia por altura do Natal. As viagens do pai para vários países da Europa antes de comprar o voo de destino final foram monitorizadas pela PJ. Quando Mariana saiu da Tailândia para a Indonésia, mal sabia que a fuga, que achou que era perfeita, tinha os dias contados. Toda a informação foi passada pela PJ às autoridades indonésias através de conversas e envio de documentação. A polícia local traçou todas as rotinas de Mariana, sabia exatamente quando estava em casa, sabia que Mariana não tinha qualquer trabalho fixo e que até já tinha um novo amor que a sustentava em tudo. Nessa altura a PJ era ainda liderada por Luís Neves, atual ministro da Administração Interna. Sabendo as autoridades portuguesas e indonésias que não havia acordo de extradição entre os dois países começou-se a preparar o cenário de deportação, bastando revogar o visto de trabalho de Mariana – um processo administrativo que durou meia dúzia de dias. De nada valeu, por isso, a Mariana ter contratado duas advogadas na Indonésia para contestar a extradição, quando isso nem sequer esteve em cima da mesa. Mariana Fonseca chegou há poucos dias a Portugal, está exatamente na mesma cadeia onde passou um ano até ser absolvida por homicídio na primeira instância. Foi na prisão de Tires que voltou as costas à namorada Maria Malveiro, também envolvida na morte brutal de Diogo. Maria acabou por ser encontrada sem vida na cela. Foi descartada a intervenção de terceiros.

António Falé de Carvalho é o advogado de Mariana desde que o Tribunal da Relação revogou a absolvição na primeira instância. Recentemente deu uma entrevista onde revelou que Mariana está muito triste desde que chegou a Portugal mas que continua a receber o apoio da família – pai e mãe.

Mariana Fonseca trabalhava num café onde estava a namorada na Indonésia, mas era um trabalho esporádico, sem contrato que servia apenas para “tapar” folgas ou férias de funcionários. A PJ desconfia que para além da namorada, Mariana contava também com o apoio financeiro dos pais.

Mariana Fonseca está no pavilhão onde cumprem pena em Tires as reclusas que praticaram os crimes mais violentos, nomeadamente a viúva Rosa, as mulheres que mataram a pequena Jéssica em Setúbal e ainda a brasileira que matou a ama na Amadora.

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