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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Polícia marítimo agraciado por resgatar náufragos

João Sadoc Pereira resgatou dois pescadores desportivos depois de o barco ter virado junto à barra de Tavira.

23 de setembro de 2014 às 19:57

Quando a 23 de fevereiro, uma embarcação de recreio de cinco metros se virou junto à barra de Tavira, João Sadoc Pereira era o único agente da Polícia Marítima de serviço no comando da Capitania de Tavira. Avançou imediatamente para o local, sozinho, numa lancha. Resgatou os dois tripulantes – um deles, de 55 anos, acabou por morrer a caminho do hospital. Sadoc Pereira vai agora ser distinguido pela Autoridade Marítima.

"Assim que recebi o alerta, sugeri ao comandante seguir na lancha da Polícia Marítima para fazer o que fosse possível", recordou, ao CM, Sadoc Pereira, adiantando que o mar estava com ondas de mais de 2 metros. Na altura do naufrágio, segundo disseram ao CM vários pescadores, registou-se "um vento repentino a soprar de sul", que terá causado o acidente.

"Os dois tripulantes estavam dentro de água: um estava a agarrar um balde como suporte de flutuação e outro estava num local de difícil acesso, junto às pedras [do molhe da barra]", continua o polícia marítimo.

Resgatou o homem que estava – já em situação de hipotermia – agarrado ao balde, e depois, com a ajuda deste, retirou da água o outro, Manuel Guerreiro, que estava em paragem cardiorrespiratória e morreu a caminho do hospital.

"Um salvamento é daquelas coisas que não se esquece. Infelizmente não foi possível trazer também com vida o senhor Manuel Guerreiro", lamenta Sadoc Pereira, que vai receber a medalha de grau prata por coragem, abnegação e humanidade.

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