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Portugal é dos países europeus que menos lixo recicla, segundo dados da Agência Europeia do Ambiente (AEA), a qual acaba de divulgar um relatório sobre boas práticas de minimização da produção de resíduos.
O objectivo do estudo comparativo é incentivar acções neste domínio, dando a conhecer casos bem sucedidos de prevenção, reciclagem e utilização de tecnologia capaz de diminuir o desperdício durante o processo produtivo.
Reciclando menos de 15 por cento dos resíduos, Portugal partilha o último lugar com a Grécia, a Grã-Bretanha, a Irlanda e a Islândia. A meio da tabela, com taxas de reciclagem entre 15 e 30 por cento, situam-se a Espanha, França, Itália, Finlândia e Noruega. No primeiro lugar, capazes de reciclar até metade do lixo, estão, entre outros, a Alemanha, Áustria e Suíça,
A AEA nomeia como principal obstáculo ao aumento das taxas de reciclagem o facto de ser “mais fácil, do ponto de vista da organização, depositar o lixo em aterro ou incinerá-lo”.
O nosso país é, porém, pouco inclinado à incineração – queima menos de 15 por cento do lixo, tal como a Itália, Grécia, Grã-Bretanha e Islândia. A opção pela incineração predomina na Suécia, Holanda, Dinamarca e Suíça.
O relatório aponta a “profunda desconfiança em relação à incineração nos países da Europa do Sul, Reino Unido e Irlanda” e faz referência aos superiores custos de instalação de unidades de queima, por comparação com a construção de aterros.
Sendo dos que menos recicla e menos lixo queima, não se estranha que Portugal esteja entre os Estados que maior quantidade – mais de 60 por cento – conduzem a aterro. Segundo a AEA, através da introdução de taxas sobre a deposição de lixo em aterro, “cada vez mais países tentam encorajar a minimização da produção, quer dizer, motivar os produtores a reciclar ou prevenir a geração de lixo”. Portugal figura no conjunto dos que não aplicam tais taxas, embora tenha em funcionamento sistemas de responsabilidade dos produtores, nomeadamente em relação às embalagens.
TRÊS ENTRE DEZ EXEMPLOS A SEGUIR
ÁUSTRIA
A Áustria faz recolha selectiva da matéria orgânica e trata-a em cerca de 500 unidades de compostagem. Além disso, os aterros especializaram-se, de acordo com o tipo de material. Resultados: só 20% da matéria orgânica vai para aterro; o aterro é o destino final de apenas 36% do lixo.
IRLANDA
A Irlanda implementou um programa-piloto de produção mais limpa em 14 empresas. Verificou-se, de uma maneira geral, a redução de perdas do produto.
A título de exemplo, refira-se ainda que uma das empresas reduziu em 43 por cento o consumo de água por tonelada de produto.
DINAMARCA
A Dinamarca implementou o princípio do poluidor-pagador ao lixo doméstico. O camião que faz a recolha dos resíduos não separados pesa-os e quanto mais pesar o caixote, mais terá de pagar quem o encheu. Daí resulta um incentivo claro à separação do vidro e do papel.
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