País assumiu o compromisso de gerar 93% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2030.
Portugal continental tem mais de cinco vezes a área necessária para atingir o objetivo de 2030 de energia solar descentralizada sem gerar conflitos, indica uma análise divulgada esta quinta-feira.
Um excedente de locais dá aos decisores políticos e promotores de energia renovável "flexibilidade para escolher os sítios que funcionam melhor tanto para a energia quanto para o meio ambiente", refere.
Os dados fazem parte de um estudo das organizações ambientalistas "The Nature Conservancy" e Zero, que esta quinta-feira apresentaram um "Guia Smart Siting (localização adequada)", uma ferramenta que aponta caminhos para Portugal conciliar metas de energia renovável com a conservação da natureza e reduzindo conflitos com as pessoas.
A investigação indica também que até 70% da energia eólica terrestre pode ser atingida em zonas de baixo conflito, com os restantes 30% podendo ser alcançados através da modernização dos parques eólicos existentes.
O trabalho identificou também as chamadas zonas de conflito moderado, uma "reserva estratégica com expansão futura", as que podem ser usadas com um planeamento cuidadoso e o envolvimento das partes Interessadas.
As duas organizações notam que os dados de localização "Smart Siting" podem orientar onde investir em melhorias na rede, com foco em regiões com elevado potencial de energias renováveis e baixo conflito, "ajudando a evitar impactes desnecessários e contribuindo para um fornecimento eficiente de energia".
Também destacam a importância de se ter em consideração os valores estéticos, ouvir as comunidades, e garantir que os projetos reflitam as prioridades das pessoas e proporcionem benefícios duradouros.
O guia "Smart Siting" para Portugal é um estudo científico de modelação e mapeamento, para classificar o território português quanto ao seu potencial de desenvolvimento de projetos de energia renovável e quanto ao seu risco de conflitos com a biodiversidade e com os valores sociais e comunidades.
Num comunicado, a Zero diz que o guia pode ser uma importante base para decisões políticas e técnicas, aos vários níveis do setor (promotores, entidades nacionais, municipais e comunitárias), "crucial no momento atual de definição das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis", e "demonstra que existe um enorme potencial em Portugal para se desenvolver energias renováveis em zonas de baixo conflito".
Diz ainda a Zero que desencorajar o desenvolvimento de energias renováveis em zonas de potencial conflito "não só é justo e benéfico para as populações e biodiversidade, mas também para os promotores, permitindo projetos mais céleres, com menos contestação e melhor reputação, acelerando, em última análise, a transição energética".
O guia resulta de dois anos de trabalho, tendo sido ouvidas mais de 70 organizações do setor, incluindo organizações não-governamentais, promotores de energias renováveis, a associação de energias renováveis e instituições públicas.
Citado no comunicado o presidente da Zero, Francisco Ferreira, recordou que várias centrais solares de grande dimensão "têm gerado forte contestação e mobilização popular em muitos aspetos, resultado da seleção de áreas com fortes impactes ambientais e sociais".
Nesse sentido, considerou o estudo um contributo para ultrapassar conflitos, conciliando produção de eletricidade renovável com o respeito pela paisagem, biodiversidade e populações locais".
Portugal assumiu o compromisso de gerar 93% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2030.
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