João Paulo Centeno e Carlos Casimiro pediram cessação das respetivas comissões de serviços no DCIAP.
Os procuradores de dois dos mais mediático processos do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), os casos “Influencer” e EDP, vão sair das respetivas investigações, no final do próximo mês de agosto. João Paulo Centeno e Carlos Casimiro pediram a cessação das comissões de serviço naquele departamento e o Conselho Superior do Ministério Público aceitou.
A saída de ambos os procuradores consta de uma curta nota, inserida no último Boletim Informativo do CSMP (relativo à reunião de 5 de fevereiro do órgão máximo do Ministério Público), na qual apenas se refere que, “por unanimidade”, os pedidos de cessão das comissões de serviço foram deferidos.
João Paulo Centeno, 57 anos, esteve na origem da investigação que, em novembro de 2023, daria lugar à Operação Influencer. A 3 de junho de 2019, o procurador, juntamente com o colega Hugo Neto, assinaram um despacho, no qual iniciaram a investigação, considerando, em resumo, que os elementos recolhidos, à época, indiciavam os crimes de prevaricação.
Em novembro de 2023, após as detenções de Diogo Lacerda Machado e Vítor Escária, entre outros arguidos, e a sua posterior libertação pelo juiz de instrução Nuno Dias Costa, o caso foi alvo de várias críticas públicas, até porque levou à demissão do governo de António Costa.
O antigo primeiro-ministro, atual presidente do Conselho da Europa, mantém-se sob investigação, mas não foi constituído arguido.
Com a saída de João Paulo Centeno, a investigação ficará nas mãos do procuradores Hugo Neto e Ricardo Lamas.
Já Carlos Casimiro, 59 anos, esteve, nos últimos anos diretamente ligado aos processos da EDP, acusando Manuel Pinho, Ricardo Salgado, António Mexia e José Luís Manso Neto de corrupção, em dois processos distintos.
Manuel Pinho e Ricardo Salgado já foram condenados em primeira instância. Por sua vez, quatro meses após a acusação, os antigos administradores da EDP ainda aguardam que o processo lhes seja disponibilizado para apresentarem as respetivas defesas.
As restantes investigações autónomas que nasceram do caso EDP ficarão, por agora, apenas nas mãos do procurador Hugo Neto. Entre estas estão os casos do antigo secretário de Estado Artur Trindade, a construção da barragem do Baixo Sabor e a contratação do filho de Manuel Pinho pela consultora Roland Berger.
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