Advogado é ouvido esta quinta-feira como testemunha no julgamento da Operação Fizz.
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Proença de Carvalho depõe esta quinta-feira no julgamento da Operação Fizz, em que tem revelado a natureza da sua relação com Orlando Figueira e outros arguidos e intervenientes no processo.
Antes do início da sessão, Proença negou aos jornalistas presentes no Campus de Justiça de Lisboa ter declarado no processo que não conhecia Orlando Figueira. O antigo procurador do Ministério Público é o principal arguido no caso em que é acusado de ter recebido subornos do então vice-presidente angolano Manuel Vicente para arquivar casos contra si na Justiça portuguesa.
Ouvido na qualidade de testemunha, Proença de Carvalho disse aos jornalistas que só se encontrou com Figueira depois de este deixar de ser magistrado do MP. "Só o conheci três anos depois dos acontecimentos", revela o advogado.
Na sessão de julgamento, Proença de Carvalho confirma esta versão. Disse que só conheceu Orlando Figueira em 2015, depois de um contacto telefónico. "Nunca antes ninguém me tinha pedido para tratar de um contrato dele".
Proença revela a conversa com Orlando Figueira: "Ele disse-me que eu tinha sido recomendado pelo Iglésias Soares [administrador do BCP].
Orlando Figueira terá contado a Proença que estava a ser investigado, em dezembro de 2015. "Disse-me que tinha sido uma denúncia anónima. E até comentou, já prenderam um ex-primeiro-ministro, agora até dava jeito um magistrado".
O advogado diz que não cobrou honorários pelos seus serviços. "Ninguém me pagou para isto. Nunca cobrei honorários a um colega nem a um magistrado. Foi um gesto de boa vontade". Algo que parece ter-se arrependido: "Se soubesse o que sei hoje..." disse Proença em tribunal.
Admite relação pessoal com banqueiro
O advogado confirmou esta quinta-feira em tribunal que manteve uma "relação profissional" com o Banco Privado Atlântico e com o banqueiro Carlos Silva. Questionado sobre se tem uma relação pessoal com o angolano, Proença respondeu: "Como é normal, quando se mantém uma relação profissional, passado algum tempo também se tem uma relação pessoal".
O advogado esclareceu depois a natureza da sua relação profissional com o banqueiro. "Eu não sou advogado do Carlos Silva. Ele escolhe os advogados que entende para cada assunto. Fui advogado num caso concreto".
Orlando Figueira lembra pagamento de 7 mil euros
Proença de Carvalho depõe um dia depois de Orlando Figueira, o procurador que responde por corrupção no processo Fizz, ter dito em tribunal que recebeu 7 mil euros em dinheiro correspondentes a férias não gozadas [relativas ao emprego que teve no BCP] numa reunião com o advogado Daniel Proença de Carvalho no seu escritório, em junho de 2015.
Proença tem sido várias vezes referido no julgamento como intermediário entre Orlando Figueira e Carlos Silva, administrador do Banco Privado Atlântico, que contratou o procurador quando este deixou o Ministério Público, pagando-lhe avultadas quantias apesar de este nunca ter entrado em funções.
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