Ministério Público quer utilizar mensagens apanhadas no inquérito ao Grupo Espírito Santo no processo de Sócrates.
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O Ministério Público quer usar como meio de prova no processo de Sócrates quase 100 mensagens e emails apreendidos na investigação ao Grupo Espírito Santo (GES), no qual o BES é um foco central. Nesses documentos são referidas a ES Enterprise, alegado saco azul do GES que terá pago 29 milhões de euros em luvas a Sócrates, e a Mossack Fonseca, escritório de advogados que originou o escândalo dos Panamá Papers.
As mensagens e emails estão relacionados com as operações financeiras e os negócios investigados no inquérito ao ex-primeiro-ministro, como a venda da participação da PT na brasileira Vivo e a compra da também brasileira Oi. Os magistrados já pediram às autoridades da Suíça que autorizem a utilização desses documentos como prova no processo de Sócrates.
Os documentos abrangem um período entre outubro de 2005, ano em que Sócrates tomou posse como primeiro-ministro, e agosto de 2014, quando o GES já estava em colapso financeiro e o BES já tinha sido sujeito à medida de resolução.
As mensagens e emails foram produzidos no âmbito da ESFIL - Espírito Santo Financière e da ES Services, que tratava da contabilidade de diversas empresas do GES, e terão resultado de decisões de Ricardo Salgado.
A ES Enterprise, da qual terá saído o dinheiro para os alegados pagamentos de luvas a Sócrates, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, tinha a contabilidade gerida pela ES Services.
O alegado saco azul do GES é referido como assunto em três emails. Já a Mossack Fonseca, que criou dezenas de offshores para o GES, é citada em 13 mensagens, o número mais alto.
Offshore do GES fez acordo com Bataglia
A offshore Pinsong, do GES, está nos emails. E fez acordos com a Markwell, offshore de Hélder Bataglia apanhada no caso Marquês.
Protagonistas
José Castella - Controller financeiro do GES
Eurofin foi abordada entre os gestores
A Eurofin é referida num email enviado a José Castella, gestor do GES. O BES terá perdido 800 milhões de euros nessa empresa.
Francisco Machado da Cruz - Contabilista do GES
Plano financeiro e análise do crédito
As finanças do GES são tema dos emails em que é citado Machado da Cruz. A dívida oculta da ESI gerou zanga entre ele e Salgado.
Bava e Granadeiro receberam 49 milhões
A ES Enterprise, alegado saco azul do Grupo Espírito Santo (GES), terá pagado 49 milhões de euros em luvas a Zeinal Bava e a Henrique Granadeiro, ex–administradores da PT. Os investigadores da Operação Marquês suspeitam que o GES terá pagado subornos a esses gestores da PT como contrapartida do seu alegado alinhamento nos interesses do GES, enquanto acionista de referência da PT.
O chumbo da OPA da Sonae à PT, em 2007, a venda da participação da PT na brasileira Vivo e a posterior compra de uma participação na também brasileira Oi são um dos focos centrais das suspeitas do Ministério Público em relação a Zeinal Bava e a Henrique Granadeiro: o primeiro terá recebido 25 milhões € do GES e o segundo 24 milhões. Bava devolveu uma parte do dinheiro.
A ES Enterprise era utilizada pelo GES para pagar alegados subornos a políticos e empresários, além de remunerações a funcionários que não terão sido declaradas ao Fisco. Na investigação ao GES, foi apreendida uma lista com mais de 100 beneficiários do saco azul do GES.
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