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Correio da Manhã

Portugal
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PSP investiga polícias suspeitos de esquema fraudolento

Vários agentes implicados em troca de títulos de transporte por dinheiro.
14 de Maio de 2015 às 13:21
Títulos de transportes atribuídos aos polícias só são conversíveis em carregamentos nos cartões de viagem
Títulos de transportes atribuídos aos polícias só são conversíveis em carregamentos nos cartões de viagem FOTO: Vasco Neves 
A Direção Nacional (DN) da PSP anunciou esta quinta-feira que vai investigar a alegada apropriação ilegítima de dinheiro proveniente de títulos de transporte atribuídos a polícias, ao abrigo do Estatuto de Pessoal da PSP.

O jornal Público notícia na sua edição desta quinta-feira um esquema fraudulento, em que agentes policiais trocam requisições de título de transporte por dinheiro, com a conivência e a participação, a troco de uma comissão, de funcionários das bilheteiras dos Transportes Sul do Tejo (TST).

"Considerando a credibilidade das fontes e nas breves diligências efetuadas, foi possível circunscrever geograficamente o eventual procedimento ilegal e referenciar o operador dos títulos de transporte. Os títulos de transportes atribuídos aos polícias só são conversíveis, pelos operadores, em carregamentos que viabilizam o acesso aos transportes públicos e não permitem a conversão em numerário", refere a DN da PSP, em comunicado.

O jornal explica como funciona o alegado esquema fraudulento: "O polícia aproxima-se das bilheteiras empunhando a requisição que lhe dá direito a carregar o passe para o autocarro sem pagar. Quando recebe os papéis, a funcionária do guichet é lesta a abrir a caixa e a tirar as notas, que lhe entrega de forma dissimulada, dentro de um folheto informativo. Não carregou o título de transporte: limitou-se a entregar-lhe 89 euros, menos 20 do que o valor do passe a que o agente tem direito. É a sua comissão".

PSP investiga junto da TST
Nesse sentido, a DN da PSP desencadeou procedimentos inspetivos junto da operadora para apurar eventuais situações que possam consubstanciar a atribuição de dinheiro pelos carregamentos de passes sociais.

"A averiguação visará apurar a eventual responsabilidade disciplinar e criminal dos intervenientes, as quais, a existirem, serão comunicadas às competentes entidades judiciais", assegura a Direção Nacional da PSP.

A PSP garante, ainda, que continuará a manter ativa a rede hierárquica que, ao abrigo do "Plano de prevenção de riscos de corrupção e infrações conexas" - que pode ser consultado na página oficial da PSP -, "monitorizará, sinalizará e abrirá os procedimentos inspetivos, disciplinares e criminais, sempre que se verifiquem indícios credíveis de ilegalidade praticados por polícias e profissionais com funções de apoio à atividade policial".

TST surpreendida com o caso
Contactada pela agência Lusa, a Transportes Sul do Tejo (TST) mostrou-se surpreendida com o caso, que se terá passado na bilheteira da empresa em Cacilhas, no concelho de Almada.

"A [empresa] TST informa que foi surpreendida com esta notícia e que está a desenvolver ações para apuramento dos factos, manifestando desde já a sua disponibilidade para colaborar com as instituições oficiais envolvidas", refere a empresa, numa resposta escrita.

A TST acrescenta que, "no curto prazo, está previsto concretizar-se o alargamento à PSP do novo procedimento de venda destes títulos de transporte através do Portal VIVA, na internet, deixando assim a sua venda de ser efetuada nos postos de venda da TST."
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