Queremos mais segurança e o reforço do policiamento na cidade para que não sucedam mais crimes como o que vitimou o Luís”. As palavras são de Assis Almeida mas podiam ter partido de qualquer um dos cerca de 300 participantes – maioritariamente jovens – que ontem marcharam em silêncio, em Santiago do Cacém, contra a violência.
Muitos dos participantes eram amigos e familiares de Luís Silva, o jovem acólito de 23 anos que na madrugada do dia 4 foi brutalmente assassinado com uma facada quando fugia a uma rixa no recinto da Feira do Monte.
A manifestação, organizada pelo Movimento Popular Contra a Violência – criado depois dos acontecimentos trágicos por um grupo de jovens que pretende mais segurança e apurar os responsáveis pelo crime – teve início pelas 14h00, percorreu algumas das principais ruas da localidade e terminou, cerca de uma hora depois, junto à autarquia.
Os manifestantes entregaram ao vice-presidente da câmara um abaixo-assinado com 1500 assinaturas pedindo medidas contra o aumento da violência e dos assaltos na região.
“Esperamos que este documento seja entregue pela autarquia ao Ministério da Administração Interna. Acreditamos que algumas das medidas vão ser tomadas para bem da população”, disse Assis Almeida.
O autarca José Baguinho prometeu aos manifestantes, após a entrega do abaixo-assinado, que o executivo irá “fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que situações destas não voltem a acontecer e para que a cidade tenha paz e sossego”.
FURTOS E MORTES
Santiago do Cacém era até, há bem pouco tempo, uma cidade pacata do Litoral Alentejano. Nos últimos meses, segundo a residente Sara Silva, a população local tem “sentido na pele o aumento de furtos e roubos em estabelecimentos e os estragos provocados pelas rixas entre grupos rivais residentes em várias localidades da região”.
A última provocou mesmo a morte a dois jovens da terra e ferimentos a um outro, tal como o CM na altura noticiou.
Nessa madrugada, um grupo de populares envolveu-se em confrontos com mais de duas dezenas de indivíduos de etnia cigana no recinto da feira, muitos dos quais armados com paus e ferros.
Luís Silva, 23 anos, estava com os amigos e pensou em fugir por um dos portões do parque. Como estava fechado pulou a vedação e dirigiu-se para casa.
Poucos metros depois foi rodeado por um grupo de ciganos e esfaqueado na barriga. Um amigo da vítima acabou também na altura por sofrer ferimentos provocados por um golpe no ombro e uma rapariga, de 18 anos, morreu depois de um despiste de uma viatura em que seguia com outros quatro jovens em direcção ao Hospital para ver o Luís.
FAMÍLIA
Filho único, Luís Silva era bastante estimado pela família e pela população de Santiago do Cacém. A manifestação contou, por isso, com bastantes amigos e familiares. Os pais estiveram ausentes. Durante o dia de ontem estiveram em Lisboa onde participaram numa homenagem ao filho promovida pela Juventude Mariana Vicentina.
CRIMINOSOS
Muitas das pessoas que participaram na marcha pretendiam saber pormenores sobre a investigação do crime a cargo da PJ. Os criminosos, segundo o nosso jornal apurou, continuam ainda por identificar, mas a população acredita que serão detidos dentro de pouco tempo. Assis Almeida, amigo da vítima, deposita algumas esperanças na lista dos feirantes que está na posse da autarquia. “Pode ser uma boa pista”, referiu.
- António Sobral, tio-padrinho de Luís Silva, disse que a morte deste familiar provocou uma grande dor na cidade. “Foi uma morte inglória e trágica. Espero que esta homenagem sirva de alerta para que não ocorram mais situações destas, sobretudo com jovens”.
- João Santos, primo do Luís, viveu momentos trágicos. “Estava também na feira e cada um fugiu para seu lado. A morte do meu primo podia ter sido evitada se os portões estivessem abertos. O Luís era um exemplo para todos nós”.
- Sara Silva, amiga dos dois jovens que morreram, sente ainda uma grande tristeza. “O Luís estava agora a iniciar a vida profissional e a Andreia tinha terminado o 12.º ano. Tinham ainda uma vida inteira pela frente e um grande futuro”.
- Assis Almeida, amigo de infância do Luís, acredita nos resultados da manifestação. “Em quatro dias recolhemos 1500 assinaturas e as pessoas estão solidárias e pedem mais segurança e menos conflitos. Esta é uma situação grave e os assassinos têm de ser detidos”.
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